Diário da Quarentena – As Novas Profissões Para Convivermos Com o Vírus

Por Caco Schmitt
Jornalista, roteirista e diretor. Trabalhou na TV Cultura/SP como diretor e chefe da pauta do jornalismo; diretor na Agência Carta Maior/SP e na Produtora Argumento/SP. Editor de texto no Fantástico, TV Globo/SP. Repórter em vários jornais de Porto Alegre, São Paulo e Brasília.

A convivência com o novo coronavírus por um bom tempo será inevitável! A sociedade, os governos, empresas devem se organizar rapidamente, treinar pessoal e colocar nas ruas as novas profissões, serviços e tecnologias que irão nos dar mais tranquilidade até a criação de uma vacina. Os especialistas afirmam que sem a vacina preventiva nossas opções são limitadas, então só nos resta reduzir a fúria da contaminação. A Coréia é exemplo porque testou e rastreou os passos dos infectados, para isolar os demais transmissores do vírus. E Wuhan, na China, porque adotou medidas radicais de quarentena e desinfecção. Aqui no Brasil, o quadro é de crescimento, mas existe uma pressão imensa para abrir tudo. Se os estados pretendem um distanciamento social controlado, flexibilizando a quarentena, devem começar preparar a nova convivência. É urgente definir quais os procedimentos necessários e treinar o pessoal que ajudará no controle da contaminação. Tenho pensado sobre isso nesses dias de isolamento.
Pode parecer ficção, mas essa nova realidade já está aí, na nossa cara. Teremos que nos acostumar com controles a cada passo. Será pra nossa segurança! Na hora de entrar no ônibus, máscara; ao visitarmos algum prédio, temperatura e desinfecção dos sapatos. Isso se as autoridades levarem a sério a futura convivência com o vírus e determinarem já os procedimentos corretos de defesa. A jornalista Maryn Mckenna diz que “a mãe natureza é a pior bioterrorista”, então, como afirma Bill Gates, devemos colocar a saúde “no mesmo patamar da guerra, com enormes investimentos e desenvolvimento de novas armas”. Devemos seguir formando médicos, enfermeiros, farmacêuticos, intensificar os serviços de limpeza e desinfecção, mas são inevitáveis as novas funções, entre elas: medidor de temperatura; desinfetador; afastador social; controlador de EPIs; orientador social.
Medidor de temperatura ficará nas entradas de lugares com trânsito intenso de pessoas: prédios, shoppings, unidades médicas etc. Rápido treinamento, termômetro e pronto. Nos pontos de maior movimento, equipes cuidarão de encaminhar os febris.
Desinfetador, todo equipado com roupas especiais, manipulará equipamentos pesados em ambientes abertos, ruas, estações, rodoviárias. Outros trabalharão em ambiente fechados, escolas, hospitais. E um terceiro tipo desinfetará sapatos e mochilas, bolsas até roupas em ambientes de aglomeração de pessoas, como escolas, cinemas.
Afastador social pode até ser o próprio segurança do banco, mercado, da loja que orientará o distanciamento social, evitando filas apertadas. Nas ruas, evita junções e reforça a atuação do controlador de EPIs nos locais vinculados ao transporte coletivo.
Controlador de EPIs, uma espécie de fiscal de máscara. Carrega máscaras descartáveis e entrega pra quem não estiver usando nas ruas. Nos pontos de ônibus, impede a entrada sem máscara.
Orientador social trabalha nas vilas populares, informando como agir na pandemia.
Complementando, teríamos ainda os testadores da covid-19 e rastreadores de contaminados, mas ligados à área da saúde. Uns aplicam os testes rápidos, outros vão buscar as pessoas que tiveram contato com quem apresentou positivo no teste.
Para dar suporte a essas funções a sociedade precisa organizar empresas prestadoras de serviços de desinfecção, de informática para criar softwares de controle, indústrias caseiras e populares de confecção de máscaras e outros EPIs. E também direcionar a indústria nacional, química para os produtos de desinfecção, eletrônica para equipamentos médicos, robótica para drones usados na limpeza. Enfim, toda série de produtos a ser produzida no Brasil e acabar com a nossa dependência do exterior. Por fim, planejar e preparar a convivência prolongada com o coronavírus tem que ter a mesma rapidez que o relaxamento da quarentena. Quanto mais cedo organizarmos, mais rápido conviveremos com o vírus em melhores condições de reduzir a contaminação e evitar mortes durante a espera pela vacina salvadora!

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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