Diário da Quarentena – Volta do Futebol no Meio da Pandemia é Crime!

Por Caco Schmitt
Jornalista, roteirista e diretor. Trabalhou na TV Cultura/SP como diretor e chefe da pauta do jornalismo; diretor na Agência Carta Maior/SP e na Produtora Argumento/SP. Editor de texto no Fantástico, TV Globo/SP. Repórter em vários jornais de Porto Alegre, São Paulo e Brasília.

É inominável a campanha “Saudade do Esporte” que a RBS (afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul) vem mantendo pela volta dos esportes, leia-se: futebol! Tem uma carga enorme de defesa de seus ganhos publicitários e, da parte dos jornalistas, dos empregos, afinal da RBS já demitiu 40 profissionais há um mês. A empresa diz que o projeto busca “levar leveza aos telespectadores”, na ausência do futebol, mas, na verdade, está sendo usado para pressionar as autoridades e apressar a liberação dos jogos.

Colocam cenas das ruas vazias e depoimentos de profissionais da rádio que sobrevive de cobrir futebol, falando: “eu tenho saudade até do engarrafamento na ida ao estádio”. “Eu tenho saudade até do ‘bafo do bebum’ no microfone”. “Eu tenho saudade de ficar até tarde na redação”. “Eu tenho saudade daquilo que ainda não vi”. Nos programas de debates, dizem que os clubes vão quebrar até o fim do ano etc. Forçaram tanto a barra que a Federação Gaúcha de Futebol (FGF) se viu pressionada, fez reuniões on line com os dirigentes dos 12 clubes que disputam o Campeonato Gaúcho de 2020, e definiu uma data. Está aprovada a retomada da competição entre a metade de julho e o começo de agosto.

Os “novos gladiadores” vão entrar na arena para cumprir três rodadas da fase classificação, a semifinal e a final do segundo turno. Se o Caxias não ganhar essa fase, haverá a grande final da pandemia. Essa volta será sem público nos estádios. Assistiremos aos jogos dos nossos times do coração pela tevê, como é hoje com a maioria das torcidas, mas, pergunto: pra que? Pra preencher os vazios? Com que ânimo vamos tocar flauta e retomar aquelas brincadeiras nas redes sociais? Será que comemoraremos o título? E o que é pior, no caso do Rio Grande do Sul, o governador há pouco deu uma entrevista e revelou a projeção da epidemia: “Projetamos para o final de junho o momento mais dramático”. Então, no auge da contaminação e das mortes, as manchetes dos jornais gaúchos se dividirão entre os tristes números de vítimas e o futuro campeão gaúcho de 2020.


OBS: pauta do meu amigo de longa data Humberto Monteiro, o Magrão.

Administrador

Fonte Segura: Central de Jornalismo

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