Diário da Quarentena-Eleições de Novembro: Plebiscito ou julgamento?

Por Caco Schmitt
Jornalista, roteirista e diretor. Trabalhou na TV Cultura/SP como diretor e chefe da pauta do jornalismo; diretor na Agência Carta Maior/SP e na Produtora Argumento/SP. Editor de texto no Fantástico, TV Globo/SP. Repórter em vários jornais de Porto Alegre, São Paulo e Brasília.

Não foi de graça que muitos prefeitos tentaram manter a data original das próximas eleições municipais, evitando o adiamento proposto pelo Tribunal Superior Eleitoral. Usaram de diferentes argumentos, mas não levaram, e a votação que irá escolher os novos prefeitos será no dia 15 de novembro e o segundo turno no dia 29 novembro. E por que muitos queriam manter a data de 04 de outubro? Não falavam abertamente, mas, nas internas, diziam que quanto mais pra frente, piores serão os efeitos da pandemia na economia, com reflexos no voto. Ora, preferem arriscar a vida da população, forçando a votação num momento que ainda pode ser perigoso, só para não arriscar uma derrota nas eleições. Essa atitude revela bem porque o Brasil é um dos países que mais sofre com a pandemia. Essa elite desumana está preocupada com seu poder, com o próprio bolso, e não com o bem-estar e a vida do cidadão. Nosso fracasso em conter a pandemia começa pelos nossos governantes… O prefeito de Itabuna, Bahia, Fernando Gomes Oliveira (PTC), é a cara dessa elite e o retrato do país. Ele disse ontem que vai autorizar a reabertura dos estabelecimentos comerciais no dia 9 de julho “morra quem morrer”. Não está nem aí pra vida. Segue o falso dilema economia ou saúde, iniciado pelo presidente psicopata, que vem massacrando nosso povo, e está de olho nas eleições.
Já participei de várias eleições, fui militante de segurar bandeira na esquina, redator e repórter dos programas do horário eleitoral, coordenador, diretor, o produtor, e sempre ouvi a máxima dos cientistas políticos: “eleição é uma espécie de plebiscito”. Alguns iam até mais longe: “No primeiro turno, os eleitores escolhem pelas preferências, no segundo é pela negação de um dos candidatos”. Acho que nessa próxima eleição, o caráter plebiscitário cederá lugar para o julgamento do prefeito, pelo que fez ou deixou de fazer na pandemia. Acredito que todos serão julgados em função do que aconteceu de bom ou de ruim na cidade, mesmo que parte da responsabilidade seja do governador do estado e outra da presidência da república.
Já se pode perceber, a cada dia mais, que as decisões em relação ao controle da pandemia estão sendo tomadas de olho na eleição, ou reeleição, e isso prejudica ainda mais o combate ao novo coronavírus. Tem prefeito abrindo tudo, mesmo com os números de casos e de mortes crescendo. Bares, restaurantes, academias etc. Já estão de olho nos votos de quem sofre com seu negócio parado e sem apoio do governo federal. Se o pequeno empresário, comerciante tivesse subsídios, renda garantida, não ficaria pressionando pela abertura. E com as proximidades das eleições, entrou em cena o velado jogo da flexibilização eleitoral, que vai cobrar a conta logo adiante.
Então, se preparem para as eleições mais estranhas de todos os tempos. O risco na hora de votar não é de se contaminar a caminho de uma seção eleitoral e sim o de reeleger um político oportunista, sem nenhum humanismo ou preocupação com a vida dos habitantes de sua cidade. Eu não voto em candidato do mal, tipo o prefeito de Itabuna (“morra quem morrer”). Em Porto Alegre: voto na Manuela e no Miguel Rossetto.

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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