Diário da Quarentena- O imaginário dia da minha vacina

Por Caco Schmitt

Jornalista, roteirista e diretor. Trabalhou na TV Cultura/SP como diretor e chefe da pauta do jornalismo; diretor na Agência Carta Maior/SP e na Produtora Argumento/SP. Editor de texto no Fantástico, TV Globo/SP. Repórter em vários jornais de Porto Alegre, São Paulo e Brasília.

Os ipês florescem e a canção Sol de Primavera do Beto Guedes já começa ecoar nos meus ouvidos: “Quando entrar setembro; e a boa nova andar nos campos”. Ano após ano, a cada primeiro dia do mês de setembro é sempre assim, mesmo que a primavera só floresça no dia 22. O importante é o setembro. Mesmo que o Brasil sofra com esse desgoverno e com a falta de políticas de combate à pandemia, mesmo que as mortes ainda sejam em grande número e que o controle esteja longe de se concretizar, e que, em realidade, pouca coisa muda, mas é setembro. Estaremos mais próximos da boa nova. E ela não dependerá dos responsáveis pelo descontrole e mortes que poderiam ser evitadas. Ela virá de longe!

Em setembro, vou começar a me mexer, até já elaborei minha agenda primavera-verão. Largarei um pouco das tele-entregas e andarei mais pelas ruas. Sim, manterei a distância social e usarei máscara e álcool gel, mas ousarei bater à porta de algum mercadinho. Quem sabe nesta quarta-feira, dia 2 de setembro, tenha coragem de voltar a frequentar a feirinha daqui da Azenha, pois o movimento é menor que no sábado. Se vencer a síndrome ermitã provocada pela quarentena, posso ousar mais e ir até o Bom Fim, lá pelo dia 10 ou 11, e cortar o cabelo com minha querida amiga Salete. Estou realmente precisando encerrar esse visual de náufrago em ilha deserta. Depois do 20 de setembro, vou retomar a coragem farroupilha e me aventurar, cedinho da manhã, a fazer umas comprinhas em algum supermercado. Com todos os cuidados! Oficialmente, estaremos na primavera, tempo dos últimos frios se fundirem com os primeiros bafos e, quem sabe pegar o carro, com a Vera Rotta e a Martinha Magadan, e dar um pulinho no litoral. Visitar três amigos em três praias diferentes: Cidreira, Tramandaí e Albatroz.

Pra outubro ainda não pensei em nada audacioso, mas poderemos ter uma agenda de boas novas sobre vacinas. Dizem que a russa de nome Sputnik já estará girando no mercado, marcando um grande passo para a humanidade pós-covid. E, quem sabe outra boa nova possa ser a aprovação final e registro das vacinas inglesa de Oxford e chinesa da Sinovac. Mas, como sou otimista com os pés na terra, sei que por enquanto será lá no exterior, então nada de se entusiasmar muito e abrir a guarda, os cuidados devem seguir porque morrer na praia nem pensar. Extravagâncias só depois de vacinado…

Pra novembro, quando a primavera absorve os primeiros calores, a agenda começa a se agitar. Época mais linda de Porto Alegre, as noites quentes me empurram pra Cidade Baixa, mas hay que resistir… Os casacos voltam às gavetas e o calor nos desnuda. A cidade fica mais florida, em todos os sentidos. Os ipês roxos e amarelos nos fazem pisar em tapetes coloridos e escorregadios. Nas nuvens, caminharei até um colégio do Menino Deus, no dia 15, e digitarei mais uma vez a esperança de dias melhores, votando na Manuela e no Miguel. A gente nunca deixa de sonhar! Duas semanas depois, domingo 29, confirmar a vitória. Pena que a comemoração de mais um governo popular e humanista não inundará as ruas, o bandeiraço democrático terá que ser na esquina da Avenida Facebook com a Instagram.

Por Caco Schmitt
Central de Jornalismo

Os ipês florescem e a canção Sol de Primavera do Beto Guedes já começa ecoar nos meus ouvidos: “Quando entrar setembro; e a boa nova andar nos campos”. Ano após ano, a cada primeiro dia do mês de setembro é sempre assim, mesmo que a primavera só floresça no dia 22. O importante é o setembro. Mesmo que o Brasil sofra com esse desgoverno e com a falta de políticas de combate à pandemia, mesmo que as mortes ainda sejam em grande número e que o controle esteja longe de se concretizar, e que, em realidade, pouca coisa muda, mas é setembro. Estaremos mais próximos da boa nova. E ela não dependerá dos responsáveis pelo descontrole e mortes que poderiam ser evitadas. Ela virá de longe!

Em setembro, vou começar a me mexer, até já elaborei minha agenda primavera-verão. Largarei um pouco das tele-entregas e andarei mais pelas ruas. Sim, manterei a distância social e usarei máscara e álcool gel, mas ousarei bater à porta de algum mercadinho. Quem sabe nesta quarta-feira, dia 2 de setembro, tenha coragem de voltar a frequentar a feirinha daqui da Azenha, pois o movimento é menor que no sábado. Se vencer a síndrome ermitã provocada pela quarentena, posso ousar mais e ir até o Bom Fim, lá pelo dia 10 ou 11, e cortar o cabelo com minha querida amiga Salete. Estou realmente precisando encerrar esse visual de náufrago em ilha deserta. Depois do 20 de setembro, vou retomar a coragem farroupilha e me aventurar, cedinho da manhã, a fazer umas comprinhas em algum supermercado. Com todos os cuidados! Oficialmente, estaremos na primavera, tempo dos últimos frios se fundirem com os primeiros bafos e, quem sabe pegar o carro, com a Vera Rotta e a Martinha Magadan, e dar um pulinho no litoral. Visitar três amigos em três praias diferentes: Cidreira, Tramandaí e Albatroz.

Pra outubro ainda não pensei em nada audacioso, mas poderemos ter uma agenda de boas novas sobre vacinas. Dizem que a russa de nome Sputnik já estará girando no mercado, marcando um grande passo para a humanidade pós-covid. E, quem sabe outra boa nova possa ser a aprovação final e registro das vacinas inglesa de Oxford e chinesa da Sinovac. Mas, como sou otimista com os pés na terra, sei que por enquanto será lá no exterior, então nada de se entusiasmar muito e abrir a guarda, os cuidados devem seguir porque morrer na praia nem pensar. Extravagâncias só depois de vacinado…

Pra novembro, quando a primavera absorve os primeiros calores, a agenda começa a se agitar. Época mais linda de Porto Alegre, as noites quentes me empurram pra Cidade Baixa, mas hay que resistir… Os casacos voltam às gavetas e o calor nos desnuda. A cidade fica mais florida, em todos os sentidos. Os ipês roxos e amarelos nos fazem pisar em tapetes coloridos e escorregadios. Nas nuvens, caminharei até um colégio do Menino Deus, no dia 15, e digitarei mais uma vez a esperança de dias melhores, votando na Manuela e no Miguel. A gente nunca deixa de sonhar! Duas semanas depois, domingo 29, confirmar a vitória. Pena que a comemoração de mais um governo popular e humanista não inundará as ruas, o bandeiraço democrático terá que ser na esquina da Avenida Facebook com a Instagram.

Pra dezembro (ufa!), o melhor da agenda 2020. Não sei por qual razão, mas estou marcando sexta-feira, 18, como o possível dia de receber a primeira dose da vacina contra a covid-19. E se toda essa agenda imaginária se confirmar, e se continuar vivo para interpretá-la, em janeiro voltarei a pisar nas areias do litoral catarinense, onde eu passei os últimos momentos realmente alegres, livres e despreocupados desse ano. Será que em janeiro de 2021 poderei recomeçar de onde tudo parou?

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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