Crônica S/A – Lugar melhor não há!

Vicente Sá

Meus leitores sabem que, eu, como todo cronista, sou especialista em variedades, ou seja, sei quase nada de muita coisa. Mas, que a Asa Norte é frequentada por uma boa quantidade de seres de outros planetas, os tais alienígenas, isso eu sei e garanto. Por seu clima, no tocante a calor humano e a boa convivência de seus moradores, a nossa Asa se tornou abrigo intergaláctico e, há anos, eles vivem, disfarçados de humanos, entre nós. Uns poucos asanortistas, entre os quais me incluo, sabem. Os mochileiros das galáxias, como eles gostam de ser chamados, se sentem em casa, na Asa Norte e, no dia dos discos voadores, 24 de junho, fazem uma reunião no bar do Chicão e confraternizam com os humanos que sabem de sua existência. Feito o preambulo, vamos à história. Na segunda-feira, Bela, minha cadela, começou a agir estranhamente e, após uivar e me puxar pela calça com os dentes, teve um princípio de convulsão e, em seguida, falou comigo em bom e sonoro português:– Vicente, aqui é o Alfredo Jupiteriano, estou usando sua cachorra para te avisar de uma reunião extraordinária dos mochileiros. Como o Chicão arrendou o bar e nós não temos intimidade com o novo dono, vamos realizá-la no Bar do Mocotó. Já falamos com o Martinho e ele aceitou. Hoje, sete da noite, não deixe de ir. É importante para o seu planeta.Em seguida, a Bela deitou-se cansada e adormeceu aos meus pés.Meus leitores de fé sabem que eu não perderia uma reunião dessas, de jeito nenhum, ainda mais com uma convocação extraordinária e falando no “planeta”.Às sete lá estava eu, chegando em cima da hora, de carona com minha companheira Lúcia, que não acreditou, nadinha, na história, e achava que eu só queria beber umas cervejas com os amigos. Recomendou que eu não tirasse a máscara, mantivesse a distância regulamentar e não cumprimentasse ninguém tocando. Concordei e fui à reunião.Éramos oito, no total. Metade asanortista e metade mochileiro. Os outros três humanos vocês, leitores, conhecem bem: o Filósofo, o Profeta e My Teacher. Se soubesse disso, a Lucia teria ainda mais razão para desconfiar de um golpe.O jupiteriano, que vive como Alfredo , o alfaiate, foi o primeiro a falar e expôs o motivo da reunião: o nosso desgoverno e a destruição do nosso meio ambiente. Eles haviam recebido ordens de seus respectivos planetas para darem um jeito no Salles. E, se não funcionasse, no resto do governo.My teacher começou a aplaudir entusiasmado, mas foi contido pelo Filósofo, que mostrou a ele que o mochileiro ainda iria falar mais. – A Terra, apesar de boa parte dos terráqueos, é o xodozinho da galáxia e, nós, que moramos aqui há tanto tempo, já temos amor por este planeta e, principalmente, pela Asa Norte. Lugar melhor não há!– “Lugar melhor não há!”, gritaram os outros três mochileiros e nós concordamos com a cabeça.A reunião ficou, por alguns minutos, interrompida pela entrada de Martinho, com uma porção caprichada de uma dobradinha que era de outro mundo e algumas cervejas geladas. Saciadas fome e sede, voltamos à reunião.– O Pantanal e a Amazônia estão em chamas por culpa destes homens, se é que podemos chamar assim quem destrói sua própria e tão linda casa, disse um viajante de Alfa Dois, que entre nós, na Norte, é Jonas, o contador. – Não há mais o que fazer. Temos que impedir que isso continue, disse outro mochileiro que aqui se chama Wagner e vende bijuterias, e explicou: alguns acidentes vão acontecer com essas pessoas, em pouco tempo, que as impedirão de se manterem nos cargos. E vocês, asanortistas, saberão que os causadores fomos nós. Mantenham o sigilo e aguardem. Nós salvaremos a Asa norte. “Lugar melhor não há!”– “Lugar melhor não há!”, gritamos todos os oito e pedimos mais uma rodada que se estendeu até quase meia noite.E foi esta a história que contei para a Lúcia que, é claro, não acreditou. Agora, só me resta esperar que os acidentes ocorram e, assim, convencê-la a me tirar do castigo em que me encontro. Não posso nem chegar ao portão! Imaginem que tristeza, para um cronista, como eu, que adora umas caminhadas pela Asa Norte, que como vocês sabem: “lugar melhor não há!”Vicente Sá

PS: As Crônicas S/A, agora, estão sendo publicadas nos portais – Central de Jornalismo – www.centraldejornalisamo.com.br e www.aultimafolha.com.br e transmitidas pela Rádio Esplanada FM, todas as segundas feiras às 9 horas da manhã. Os leitores que quiserem ouvir minhas histórias pela minha voz devem acessar o site www.radioesplanadafm.org ou usar o aplicativo radiosnet.com. Até o próximo Domingo ou até amanhã

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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