Fiocruz alerta que o sistema de saúde pública do Rio já está em ‘colapso’

Mortes em domicílio aumentaram
em comparação com anos anteriores

Por PODER360
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Central de Jornalismo

A Fiocruz afirmou nesta 4ª feira (2.dez.2020) que o município do Rio de Janeiro teve alto número de mortes em domicílios e excesso de óbitos em comparação aos anos anteriores. Por essa razão, a fundação disse que a cidade pode estar vivenciando um “quadro sério de desassistência geral do sistema de saúde municipal” e isso não se restringe aos hospitais, mas foca especialmente na rede de atenção básica e no sistema de vigilância em saúde.

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Dados da Secretaria de Saúde do Rio mostram que, nos meses de abril a setembro, aconteceram cerca de 27.000 mortes acima do esperado, com relação aos anos anteriores. A covid-19 foi responsável por 13.000 delas. Conforme os dados, cerca de 1.000 pessoas morreram em domicílio. A Fiocruz alerta que, possivelmente, sem assistência médica. De março a setembro foram 1.800 mortes além do esperado e que foram classificadas como “causas mal definidas“, sem diagnóstico, o que também pode indicar desassistência médica.

“Os dados mostram que, mesmo entre os casos de Covid-19 que foram internados em hospitais, a maior parte dos óbitos ocorreu fora das UTIs. O conjunto desses indicadores aponta fortemente para a incapacidade do sistema municipal de Saúde de atender a casos graves da doença. Indicam ainda que podemos estar perto de um novo colapso do sistema, pois os novos casos, que irão gerar maior demanda de atendimento, estão aumentando rapidamente, de forma muito preocupante”, afirma Christovam Barcellos, pesquisador de saúde pública e vice-diretor do Icict/Fiocruz (Instituto de Comunicação e Informação em Saúde).

O Monitora covid-19, do Icict, emitiu nota técnica e disse que o quadro de desassistência à saúde na cidade do Rio de Janeiro ultrapassou a da de São Paulo nas últimas semanas. A 1ª teve 500 mortes médias diárias e a 2ª, 400. O Rio tinha registrado uma leve tendência de queda no número de mortes, mas de forma irregular, com altas ocasionais a partir de agosto. Esse fato seria um sinal da “vulnerabilidade da cidade a novos surtos ou mesmo a retomada dos padrões de transmissão do início do ano”. Eis a íntegra da nota (266KB).

Outro dado é que aparecem diversas doenças entre as mortes em excesso que não foram listados como covid-19. Dentre as enfermidades estão várias formas de câncer, infartos e AVCs. “Todas essas mortes em excesso podem ter sido causadas por falta de atendimento adequado e oportuno, em todos os níveis da rede de saúde, devido ao grande volume de casos de Covid-19 que encheram as unidades de saúde“, disse a Fiocruz.

Segundo dados do Sivep-Gripe (Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe), só 40,5% das mortes por covid-19 registrados em hospitais aconteceram dentro de uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Outros 27% morreram fora de uma UTI e em 32,5% das mortes não há informação se ocorreram dentro ou fora da UTI.

“É muito provável que a maior parte dos casos sem registro de informação de UTI tenha ocorrido fora de uma UTI. Considerando isso, conclui-se que provavelmente mais da metade da população que veio a óbito por Covid-19 no município sequer teve a chance de receber atendimento intensivo”, afirma o estudo.

“Agora imagine com o grande aumento de novos casos de doentes por Covid-19 precisando de atendimento nos hospitais, que já vêm apresentando superlotação de leitos. Podemos estar perto de um novo colapso do sistema de saúde pública do Rio”, diz Christovam Barcellos.

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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