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Não queremos vacina, nós temos a cloroquina”: a ignorância que mata exposta em praça pública

Publicado por
Joaquim de Carvalho
11 de dezembro de 2020

O fotógrafo Eduardo Matysiak não deixou passar em branco uma manifestação exótica hoje em frente à prefeitura de Curitiba. Elas protestavam contra a vacina.

Parecia piada, mas não.

Um manifestante, com uma bandeira do Brasil presa a cabeça como bandana, segurava o cartaz com dizeres “Não queremos a vacina, nós temos a cloroquina”.

Outro cartaz pregava: “Tratamento profilático. Ivermectina já”.

O protesto reuniu três homens e duas mulheres de meia idade.

Do ponto de vista numérica, foi um fracasso.

Mas é preciso ver essa manifestação sob outro aspecto.

Como podem não se envergonharem de propagar a própria ignorância em praça pública?

Eles têm uma referência.

É Jair Bolsonaro, que estimula movimento antivacina com declarações em que zomba da covid-19 e até dos mortos e transforma uma questão científica e de saúde pública, a mais grave da nossa geração, em motivo de piada.

Os manifestantes também são contra o uso de máscara.

A covid-19 tem cerca de 6,8 milhões de casos da doença, dos quais aproximadamente 180 mil resultaram em mortes.

O Brasil é proporcionalmente o 7º país com mais mortos pela doença. São 800 por milhão de habitantes.

A Argentina ocupa o 5º lugar, com 818 mortes por milhão de habitantes. O primeiro lugar é da Bélgica, com 1.345, seguida do Peru, com 1.075.

A posição do Brasil no ranking da morte, no entanto, deve ser vista com reserva. O próprio Ministério da Saúde já admitiu que os casos de covid-19 têm sido subnotificados.

O que se saber é que aumentou muito o número de mortes por Sindrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

No ano passado, segundo dados do Ministério da Saúde, houve 39.190 internações em hospitais de pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), uma complicação de doenças respiratórias, como a gripe.

Desse total, 4.939 pessoas morreram. Mas até setembro desse ano, ocorreram 704.194 casos de SRAG, com 184.934 mortes. Um aumento de 1.697% no número de casos e de 3.644% no número de mortes.

Do total de casos de SRAG no ano passado, 17,8% foram causadas pelo vírus influenza, outros 23,9% foram causados por outros vírus respiratórios, principalmente o Vírus Sincicial Respiratório, causador dos resfriados comuns.

Poderia estar havendo notificação equivocada da doença?

Talvez, mas o Ministério da Saúde não admite esse erro.

É um dado que precisa ser investigado.

A ciência dá respostas precisas a nossos problemas, ao contrário dos negacionistas e outros ignorantes, que nos perturbam a paz, como o cidadão da placa ‘”Não queremos a vacina, nós temos a cloroquina”.

Seria cômico não fosse trágico.

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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