Diário da Quarentena-Omissão que Mata

Por Caco Schmitt

Jornalista, roteirista e diretor. Trabalhou na TV Cultura/SP como diretor e chefe da pauta do jornalismo; diretor na Agência Carta Maior/SP e na Produtora Argumento/SP. Editor de texto no Fantástico, TV Globo/SP. Repórter em vários jornais de Porto Alegre, São Paulo e Brasília.

Dia 279

Rio Grande do Sul bate recorde de mortes!
O Rio grande do Sul registrou nas últimas 24 horas o maior número de mortes desde o começo da pandemia: 101 pessoas morreram de covid-19. Nem no auge, durante o inverno do sul, o total de vítimas chegou a 100 em 24 horas. O número de novos infectados também foi dos maiores: 6.381 pessoas. Agora são 461 mil casos e 8.260 mortes. A média diária de mortes está em 71 óbitos. Só pra efeito de registro, o vizinho Uruguai tem até agora 13.477 casos e 119 mortes. Claro, o Uruguai tem a metade da população do Rio Grande do Sul, mas mesmo que dobrássemos os números a diferença seguiria abismal. O número de mortes registradas nas últimas 24 horas no RS é quase o mesmo de toda a pandemia no país vizinho. No Brasil, a situação de hoje também é dramática: 963 mortes nas últimas 24 horas, elevando o total para 188.285 óbitos. O Jornal Nacional da TV Globo mostrou que a totalização do consórcio de imprensa chegou a 7.320.020 casos de covid-19. E o que vemos no país? Multidões apertadas nas praias, nas ruas de comércio popular, nos trens e metrôs, até os aeroportos. As mortes e os casos crescem e são cada vez mais brandas as regras que poderiam deter o avanço de contaminação e de mortes. É como se nada estivesse acontecendo de ruim…

A omissão das autoridades brasileiras, a começar pelo seu presidente psicopata, é assustadora, criminosa e será cobrada pela história! Aqui no Rio Grande do sul chega a ser piada. Triste piada. A secretária da Saúde vai pra imprensa pedir, por favor, para que as pessoas se cuidem, não se aglomerem. Ela que tem a caneta para determinar regras se omite e fica chorando na tevê. O governador brinca de bandeiras, teve até coragem de indicar preliminarmente duas bandeiras pretas, mas aceita todas as argumentações de prefeitos omissos e permite que as regras das bandeiras não sejam seguidas nas suas regiões. Tem mas não tem, é preta, mas não é… inacreditável! Médicos dos hospitais da rede pública e privada há semanas alertam que o número de internados chegou ao limite, a loteria da morte é um risco, mas autoridades são omissas. As entidades representativas do comércio, que brigaram para abrir tudo a qualquer preço, agora fazem tímidas campanhas na mídia, pedindo pras pessoas se cuidarem, mas seguem com suas lojas lotadas. Todos, como desde o começo, dizem estar “tomando as precauções e cuidados recomendados”, mas, misteriosamente o número de contaminados e de mortes não para de crescer. Ninguém multa ônibus lotado, casas de permanência de idosos que promovem extermínio em massa sem que ninguém seja punido (“estávamos tomando todos os cuidados…”), frigoríficos reis da contaminação etc.

É uma pena que agora que 2020 está terminando, que as vacinas estão chegando, apesar de toda a intencional e bandida desorganização do Ministério da Saúde, é uma pena que vivenciamos um pique assustador de mortes, de casos e de omissão. Ao contrário da Europa, aqui não é uma segunda onda porque sequer controlamos a primeira, tudo acontece por conta da omissão geral e insana das autoridades brasileiras e comportamento de boa parte da população. Não é desculpa estar de saco cheio, não é verdade que não podemos ficar sem um barzinho ou uma festa maluca, não é verdade que precisamos dar presente de Natal, o maior presente é se manter vivo e não matar ninguém. A verdade é que inexiste poder público responsável pra determinar os limites e responsabilizar criminalmente quem está contribuindo para aumentar o contágio e as mortes. Que o ano novo traga vacina e luz para no tirar das trevas dessa omissão que mata centenas de pessoas todos os dias.

Administrador

Fonte Segura: Central de Jornalismo

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