DIÁRIO DA QUARENTENA – dia 287 (30.12.20) AGRADEÇO A TUDO QUE ME MANTÉM VIVO ATÉ AGORA

Por Caco Schmitt

Jornalista, roteirista e diretor. Trabalhou na TV Cultura/SP como diretor e chefe da pauta do jornalismo; diretor na Agência Carta Maior/SP e na Produtora Argumento/SP. Editor de texto no Fantástico, TV Globo/SP. Repórter em vários jornais de Porto Alegre, São Paulo e Brasília.

O amor à vida, em primeiro lugar! Toda forma de vida que há. O amor aos filhos, suas companheiras, aos netinhos amados. O amor à família. O apoio das irmãs, as conversas, a troca de comidas e de pensamentos, passeios e suporte emocional. As amizades também me mantiveram vivo, amigas e amigos de todos os tempos da existência, a maioria hoje presente aqui nas redes sociais. O amor às pessoas, aos animais, à natureza, à história, à cultura, ao conhecimento e à ciência. A esperança também me faz vivo, passado tanto tempo e depois de tanta notícia angustiante, dia após dia da quarentena.
A minha formação e vida profissional também auxiliaram. Desde a faculdade militei contra a ditadura militar e contra a exploração do trabalho pelo capital, ao lado de um grade número de amigas e amigos que até hoje estão comigo. Sempre tivemos lado: o das lutas populares! Depois, trabalhei em veículos da imprensa alternativa. Em vários estados, fui repórter, redator e editor em jornais e tevês tradicionais, públicas e na comunicação de governos do PT, municipal, estadual e federal. Essa convivência de décadas com pessoas do povo, pesquisadores, lideranças, sonhadores, cobrindo e relatando fatos do cotidiano, ou grandes acontecimentos, em vários estados do país, ampliou minha percepção da realidade. Gerou também o hábito de ver os noticiários das tevês, ler jornais e revistas, e ouvir rádio. Esse desejo de “saber” de tudo me ajudou na construção desse diário iniciado no dia 20 de março. Ter acompanhado o dia inteiro os números de mortes, o sofrimento de seres humanos, as causas, as falhas dos poderes públicos, as desculpas de empresas sobre a contaminação nos locais de trabalho, ônibus e lojas, sofrer a cada aumento da média móvel de mortes, tudo isso aumentou minha angústia, me deprimiu, assim como a todos vocês, mas escrever me manteve vivo!
A leitura diária do WhatsApp e da timeline do Facebook, curtir, sorrir, odiar e amar os textos de todos vocês com desabafos, angústias, recados, fotos, memes, piadas, protestos, tudo isso me manteve vivo. Acompanhar as análises, alegrias, raivas, decepções e esperanças também. Eu sigo acreditando na vitória do coletivo sobre o individual, por isso tenho certeza de que iremos superar o ódio dos destruidores do futuro. Mesmo descrentes com os que se aglomeram e desprezam o contágio, mesmo sabendo que muitas coisas ruins seguirão destruindo o meio ambiente, retirando direitos, aumentando a pobreza e a violência que rouba vidas inocentes, seguiremos na luta. Em breve, livres dos grilhões do possível contágio, voltaremos às ruas com nossa disposição de lutar que o tempo não exaure porque temos a eterna sede de liberdade, igualdade e fraternidade! Sim, combateremos o atraso, derrotaremos os seguidores do ocultismo que tentam nos impor as trevas. A Ciência e o amor vencerão! E, com muito amor, desejo a todas e todos um FELIZ 2021… e, como diz o mestre Olívio Dutra: boa luta!

Foto que ilustrou o primeiro texto do Diário da Quarentena em 20 de março de 2020

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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