Diário da Quarentena-Síndrome serrana, novo mal do Brasil pandêmico

Por Caco Schmitt

Jornalista, roteirista e diretor. Trabalhou na TV Cultura/SP como diretor e chefe da pauta do jornalismo; diretor na Agência Carta Maior/SP e na Produtora Argumento/SP. Editor de texto no Fantástico, TV Globo/SP. Repórter em vários jornais de Porto Alegre, São Paulo e Brasília.

Dia 330

Bastou o Instituto Butantan anunciar que irá vacinar toda a cidade de Serrana, para o vírus cada-um-por-si se espalhar rapidamente na região de Ribeirão Preto (São Paulo). Essa Síndrome Serrana encerra, de vez, aquele papinho xarope que surgiu no começo da pandemia de que a covid-19 veio nos ensinar muitas coisas, que tinha o lado bom e que a humanidade sairia melhor depois da pandemia, algo que sempre contestei. Pois bem, o estudo para testar a eficiência da Coronavac prevê vacinar 30 mil habitantes de Serrana, observando qual será o impacto da vacina na comunidade. A vacinação em massa da população acima de 18 anos começará no dia 17 de fevereiro. Mas, antes da vacina, o vírus cada-um-por-si já se instalou na cidade.

O primeiro sintoma da Síndrome Serrana já apareceu logo após a confirmação do experimento pelo governo paulista: as imobiliárias da cidade relatam o aumento na procura por aluguel de casas. O anúncio foi feito no sábado, dia 6, na segunda-feira, dia 8, os telefones da imobiliária não pararam de tocar, segundo contou ao G1 a auxiliar administrativo Marcela Amaral. Ela diz que “os clientes são do Brasil inteiro, a maioria quer saber quanto tempo de locação a imobiliária faz no mínimo, falando que precisam só de um tempo para conhecer a cidade ou que têm alguma coisa para fazer em Ribeirão”.

Sem ser percebida, de mansinho, essa Síndrome Serrana já havia começado a se manifestar no Brasil a partir do dia 17 de janeiro, quando a enfermeira Mônica Calazans recebeu a primeira dose da Coronavac. No entanto, se espalhou mais rapidamente que o próprio novo coronavírus. Agora, na experiência de vacinação em massa da pacata cidade Serrana, sofreu uma mutação inacreditável, as pessoas querem se mudar pra cidade, fingir que ali residem e, com passaporte de cidadania local, participar do experimento de vacinação em massa. Sinceramente, não sei mais o que dizer…

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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