Morreu o príncipe das trevas? -Por Grace Maya

Já vai tarde, né meu filho?

Central de Jornalismo
Por Grace Maya
12 de abril de 2021

Um príncipe não deveria ter outro objetivo senão a guerra, já dizia o Maquiavel em seu livro de tips para príncipes. Essa semana tive o infortúnio de ver alguns amigos prestando algum tipo de condolência ao príncipe, enquanto miles de pessoas morrem em uma tragédia política, resultado, diria eu, não tão indireto da tirania inglesa. Poderia afirmar que todos os genocídios, praticados a partir da colonização, são devidamente justificados por discursos positivistas, que por sua vez, têm suas raízes bem grossas na terra da tal da rainha.

Além de absurdamente brega gostar de algo como uma rainha, é absurdamente vergonhoso a decolonialidade presente no imaginário de pessoas que cultuam a representante do país que também(!) promoveu um verdadeiro holocausto.

Então me pergunto: porque essas pessoas, pessoas de esquerda, gostam dessa cafonisse toda? Sério, que encontraram um espacinho em seus corações para chorar a morte desse cara??? Em plena segunda onda de covid? Nammmm!!!

Depois da série bonitinha do Netflix, podemos até dizer que sabemos quem é esse cara, o tal príncipe de Edimburgo, que era o cara casado com a rainha, mas que não era rei. Convenhamos, que nunca lembramos que ele existia. Nam, a série é uma propaganda descarada como sempre! Mostrar o lado humano deles, não podia vir melhor a essa gente fria nesse momento!

Já a BBC, a mesma que foi usada para difundir o positivismo britânico e disfarçar suas barbáries em documentários maniqueístas, apresenta a família real como um conto de fadas em pleno século 21, e é uma tv respeitável é claro, Sir!

O certo é que as pessoas, mesmo cultas, seguem comprando essa farsa, e se esquecem facilmente dos capítulos macabros dessa novela, super populares, como o assassinato da Diana, que não faz falta estudar história para saber que ela foi mais uma vítima dessa corja de mercenários que chamamos de família real.

Porque as pessoas se negam a dar importância a todos os genocídios, que a galera da rainha praticou em nome de sua superioridade racial? Por que? Digo que não precisamos ir muito longe quando lembramos que, recentemente, uma negona entrou para família! Me pergunto, como assim? Sou eu tão exagerada, como dizia minha mãe, ou isso é um absurdo? Não, não sou exagerada! Eu não entendo como essa mina teve coragem de fazer parte disso, eu tinha a esperança dela, com toda venia, mandar a rainha tomar no cu dela, em plena solenidade claro,mas não, casou, teve um filho e se contenta em tirar o príncipe de casa,(o tal careca sexy ! ), desnecessário, considerando a fama que ela tinha, é perverso se casar com um representante da mesma gente que matou e mata pessoas com justificativas altamente racistas em seu conteúdo, ou seja, será que ela não teve aula de colonialismo ou não tem coração?

Será que as celebridades,sabe? Os cantores, jogadores, todos esses famosos que apertam a mão da coroa, não estão também colaborando com esse teatro? Será? Será? Ai, meu deusu, do que estou falando?

Okay, analisemos por partes os capítulos dessa novela, esse casamento encantado é vendido para o imaginário coletivo como algo bom, algo certo, algo em que podemos nos inspirar, desejar, aceitar, gostar, é o bom, é de deus. Não é inconsciente da parte deles, eles precisam que as pessoas cumpram esse check list, eles se mantêem à custa dessa fatura que eles passam todo mês e o planeta paga com sangue.

Estou segura que em nenhum momento o povo de Guinea e Senegal, que foram sequestrados e feitos de escravos longe de suas terras, acharam bonito o vestido da rainha, enquanto sagravam e viam seus filhos, pais, irmãos morrerem, enquanto a rainha se divertia em conhecer celebridades e desfilar seu tweed combinando com o chapéu.

Estou segura que os povos originários, exterminados da recém descoberta América, não achariam legal as piadinhas e memes sobre a eternidade da vida dessa genocida e não acham verossímil a romantizada série da Netflix sobre essa família, que fede a merda, bem podrinha igual que a de qualquer um de nós.

Estou segura, que as vítimas da coroa, na Índia, não estariam muito felizes de se verem invisibilizadas na história do cinema e varridas para debaixo dos tapetes persas gigantescos do palácio de Buckingham e outros que não me lembro o nome.

Estou segura que o brilho dos olhos dos aborígenes, que morreram, em Austrália e Tanzânia, são mais importantes que os brilhos dos diamantes, safiras e esmeraldas que enfeitam o pescoço desse ser satânico, pedras essas roubadas, com toda violência necessária.

Me pergunto mais, me pergunto se seria possível contabilizar a quantidade de mortes causadas pelo positivismo inglês, que justificou e justifica muitas mortes em todo mundo, mortes que se se justificam em crenças pseudocientíficas altamente populares, e por isso altamente temerário, é um perigo fatal quando a ciência colabora para teorias filosóficas platônicas em forma de novela.

Pior de tudo, é que podemos testemunhar a força desse discurso nos movimentos neofacistas que tomaram força em todo planeta, com o foco em nosso lindo país,com nosso presidente que, obviamente, não sabe o que está falando, mas repete de cor o abecedário decolonialista. Por favor, não sejamos condencentes e não trabalhemos com duas balanças e duas medidas. Muito mais poder tem a rainha, que não manda em nada, muito mais perversa e consciente desses séculos de poder, que o ignorante soldado que chegou ao poder sem nem saber como, ele não chega aos pés da boazinha de chapéu.

Que bom que o príncipe morreu, menos um na linhagem, menos um na mesa pra comer, menos um pra seguir contando essa palhaçada, morreu de covid, igual aos outros mortais.

Espero estar vivinha da Silva quando esse poder terminar de cair em terra, e seja substituído por qualquer outro marco teórico, para mim, será testemunhar o fim de um grande ciclo.

A mim, não me enganam, eu posso ver bem a quantidade de sangue que há debaixo de tantos babados, chiqueza cínica que nunca foi e nunca será bela em nada, é o terror.

Bom, veremos se Plutão entra em Aquário igual da última vez, quando da Revolução Francesa, e esperemos que o príncipe leve sua amada em breve e se acabe por vez esse teatro cruel.

Por agora, seguimos ineptos de nos organizar para tirar o maluco de dentro da casa branca tupiniquim. Incrível!

Boa semana pra vocês!
Se cuidem e sigam vivos!

Grace Maya

Administrador

Fonte Segura: Central de Jornalismo

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