Maçons Pela Democracia Lançam 6ª Carta ao Povo Brasileiro

Maíra Santafé/Jornalistas Livres em 21/05
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Central de Jornalismo
24 de maio de 2021

Em carta, o grupo Maçons pela Democracia pede impeachment de Bolsonaro, justiça para o Jacarezinho e apoia CPI da Covid-19

Liberdade, Igualdade e Fraternidade

IMPEACHMENT JÁ!

TODO APOIO À CPI DA COVID-19

JUSTIÇA PARA JACAREZINHO

Os irmãos vinculados ao Grupo Maçons pela Democracia reafirmam que não falam em nome de nenhuma loja nem potência maçônica e sim com base em convicções pessoais sobre o dever cívico de um maçom.

O discurso apolítico e antidemocrático é incompatível com os princípios da tríade – Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Por isso, não admitimos a ditadura, os regimes absolutistas e tampouco os preconceitos.

“Não convivemos com corruptos ou conspiradores!” – escreveu em nota conjunta a Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB) e a Confederação Maçônica do Brasil (COMAB) em março de 2020, que subscrevemos.

A pandemia da Covid-19, que já ceifou mais de 440 mil vidas de brasileiros, aponta-nos a marca de 700 mil mortos até o fim deste ano. E o Brasil é mundialmente avaliado com o pior desempenho em tratar a doença.

Falta vacina, o único medicamento disponível capaz de evitar a contaminação. Os civis e militares que ocuparam o Ministério da Saúde não usaram, sequer, as verbas que lhes foram destinadas. A atitude, de tão irresponsável, fez com que o ministro Gilmar Mendes os advertissem para que não associassem suas imagens a de um genocídio.

O presidente da República debocha da dor dos mortos e incentiva medidas que só servem para agravar a situação e ainda põe em dúvida que as mortes estejam ocorrendo.

A ministra dos Direitos Humanos ameaçou com prisão, numa reunião ministerial, os governadores que estão cumprindo as determinações da Organização Mundial de Saúde – OMS.

A subserviência a potências estrangeiras, especialmente aos EUA, é incondicional. Quando o então candidato Bolsonaro se deixou filmar, prestando continência à bandeira americana, em meio a um coro de “USA”, não fazia simples jogo de cena. Nossas riquezas naturais e empresas estatais são entregues a preço vil. A Petrobras está sendo destruída por uma política de preços suicida, que faz o nosso parque de refino trabalhar com uma ociosidade de 30%, que são importados do exterior, queimando divisas, gerando dívida externa e dependência econômica.

A engenharia nacional foi desmantelada, podendo-se dizer o mesmo da construção naval, responsáveis por boa parte dos empregos no Brasil. Além dos postos de trabalho suprimidos, são extintos direitos dos trabalhadores, conquistados há mais de 90 anos. É crescente a desigualdade social, acelerada pelo desemprego.

O ministro da Economia, com incontida exacerbação, mostra-se “indignado” porque as pessoas ainda conservam cheias suas geladeiras. Logo em seguida, na mesma reunião ministerial, se vangloria que já havia conseguido “colocar a granada no bolso do inimigo”, que permanece há dois anos sem reajuste. O “inimigo” é o funcionalismo público. Como se entrega a condução da economia de um país a um monstro como esse?

Seu colega do Meio Ambiente sugere que se aproveitem os danos da Covid-19 para “deixar a boiada passar”. A expressão canalha significa liberar as regras, já suaves, que disciplinam a proteção ao meio ambiente. O ex-chefe da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) Notícia-Crime denunciando Ricardo Salles por crimes de advocacia administrativa, organização criminosa e obstrução a operações.

A Educação e a Cultura são os alvos permanentes dos que tomaram o poder. Evidencia-se o ódio à Ciência e ao conhecimento, de forma geral.

Chegamos ao ponto de um mandatário confundir sua imagem à do crime organizado e defender, publicamente, as quadrilhas chamadas de “milícias”. A infiltração nefasta dessas quadrilhas se dá em grau intenso no Rio de Janeiro e já atinge outros estados, participando e orientando, inclusive, greves de policiais. O Supremo Tribunal Federal, que tem dado mostras de tentar resistir a essa desgraça, com inquéritos abertos, investigações supervisionadas e decisões corajosas, vai desvendando o véu da cumplicidade para encobrir a sordidez dos crimes. Por isso, enfrenta a virulência de constantes ataques, tendo o ódio como o grande agente catalisador.

Nesses protestos, em que são vistas bandeiras de outros países, pedidos de intervenção militar, manifestações de intolerância religiosa e racismo, é chocante o baixo nível moral e intelectual dos participantes, que sequer sabem pelo que lutam ou o que defendem. Se não forem detidos a tempo, esses golpistas vão transformar instituições prestigiadas num valhacouto de delinquentes, protegendo seus comparsas que estão no poder. Ou se resgata, já, o que resta de Brasil, ou não será possível prever aonde chegará esse ataque sem precedentes à Nação que sonhamos legar aos brasileiros.

Essa é a responsabilidade dos ministros do STF e do sucesso da Comissão Parlamentar que investiga a condução do combate a Covid-19, aos quais hipotecamos total apoio.

Há pouco, a polícia promoveu, na favela do Jacarezinho, uma chacina sem precedentes na história da cidade. A “operação” foi “planejada” em uma reunião a portas fechadas do governador do Rio de Janeiro com o presidente da República, para cumprir vinte e um mandados de prisão. Foi um fracasso retumbante: apenas três foram cumpridos, três dos procurados foram mortos, deixando um saldo de muitos feridos e 28 mortos, inclusive um policial.

Noticia-se que o real objetivo da ação foi intimidar os opositores do governo federal que enfrenta a indefensável apuração de sua negligência e leviandade na condução do combate a Covid-19. Não é difícil reconhecer na ação um afrontoso desrespeito ao STF, que havia proibido esse tipo de procedimento durante a pandemia. Nossa Suprema Corte é acusada por essa escória política, reunida na extrema direita, de ser responsável por tudo de mau
que acontece ao Brasil.

Independentemente da conceituação jurídica de genocídio, a morte está se banalizando. Os grupos de extermínio têm hoje os recursos materiais e a falsa legitimidade do aparato de estado. Da ação de um miliciano que tortura seu próprio enteado à dos agentes que atiram a esmo em pessoas despossuídas, existe a marca indelével de quem fez sua campanha defendendo a tortura e o extermínio de, pelo menos, 30 mil pessoas.

Esses crimes não podem ser separados. Fazem parte de um contexto que, infelizmente, atinge cada vez mais quem faz escolhas e ações erradas, a partir de informações falsas. Segundo Hannah Arendt, “a banalidade do mal é o fenômeno da recusa do caráter humano do homem, alicerçado na negativa da reflexão e na tendência em não assumir a iniciativa própria de seus atos.”

Bolsonaro é o principal obstáculo para se controlar a pandemia e para conter a destruição do Brasil.

Rio de Janeiro, 20 de maio de 2021.

Subscrevem a VI Carta dos Maçons Pela Democracia, em ordem alfabética, os mestres maçons: Dener Coelho, Emanuel Cancella, Everaldo Costa, Fábio Farias, Francisco Soriano, Gilson Gomes, Guaraci Correa Porto, João Custódio, José Amaral de Brito, Paulo Ramos, Renato Lopes, Sebastião Calvet, Sérgio Abad e Sydney Castro.

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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