Carta que Bolsonaro devia mandar a Biden: “Pisei na bola, talquei”

Por Tales Faria/Uol
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Central de Jornalismo
21 de janeiro de 2021

Com Donald Trump à frente da maior potência ocidental, o mundo resolveu andar para trás. Aqui no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro e seu chanceler, Ernesto Araújo, seguiram seus passos. Mas os Estados Unidos mandaram Trump para casa e Joe Biden recoloca o país onde devia estar. Bolsonaro escreveu uma carta marota para Biden, tentando dar um jeito na situação. Mas não disse o fundamental: “Pisei na bola, talquei.”

Eis um trecho da carta que Jair Bolsonaro devia ter enviado para Joe Biden:

“Senhor presidente dos Estados Unidos. Antes de mais nada, quero lhe dizer que errei redondamente ao apostar todas as fichas do Brasil em Donald Trump.

Foi uma burrice. Eu e meu chanceler, o Ernesto, adotamos uma política externa suicida, que levou o país à encruzilhada em que estamos. Não conseguimos qualquer benesse do Trump e quase rompemos relações com a China, a quem agora rogamos que nos envie algumas migalhas daquela vacina que tanto desprezamos.

Sei, meu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, pensa igual ao Ernesto. Na verdade foi ele quem me indicou o cara. Talquei, esse foi outro erro no qual não vejo como dar um jeito: deixei meus filhos se meterem demais no governo e eles acabaram fazendo uma lambança.

Foram eles que me apresentaram o Olavo de Carvalho e a turma de terraplanistas. Antes eu era apenas um radical sem ideologia, mas eles tentaram dar um brilho no pai. Sabe como é? Ficou essa misturada de ideias que me fez seguir o Trump na bobagem de que a Covid-19 seria apenas uma gripezinha.

Acabei comprando cloroquina vendida por seu antecessor, sem saber que ele, na verdade, estava largando o remédio. Pois é, obriguei meu Exército a encher as burras de cloroquina. E coloquei um general intendente como ministro da Saúde. A pandemia se espalhou, e, agora, tem até general morrendo sem que eu saiba o que fazer.

E ainda acompanhei o Trump na história de que aquecimento global é bobagem. Escolhi um ministro do Meio Ambiente que quase nos fez romper também com o Acordo de Paris. Para não acabar com a Amazônia e o meu governo, tive que colocar meu vice, o general Mourão, de quem não gosto, para tomar conta da floresta. Mas a coisa está meio capenga, admito.

Pois é, presidente Biden, queria pedir sua ajuda para sair dessa encrenca. Talvez não seja tarde. Será possível?”

Está na cara que Bolsonaro jamais faria isso. Na carta que enviou ao presidente dos Estados Unidos, tenta se justificar e acenar com pontos que despertem o interesse dos norte-americanos no Brasil. Coisas como um “abrangente acordo de livre comércio” que os ex-presidentes Lula (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) evitaram a todo custo.

Bolsonaro tenta seduzir Biden com a conclusão do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, que dará aos norte-americanos livre acesso a base de lançamentos de foguetes de Alcântara, no Maranhão. Também oferece na carta e a conclusão do Acordo de Pesquisa, Desenvolvimento, Teste e Avaliação, voltado para a área militar.

Vai que o presidente dos Estados Unidos se entregue aos acenos? Bem, só nos restará torcer que a coisa não piore.

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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