Diário da Quarentena- Transparência já na distribuição da vacina anti Covid-19

Por Caco Schmitt

Jornalista, roteirista e diretor. Trabalhou na TV Cultura/SP como diretor e chefe da pauta do jornalismo; diretor na Agência Carta Maior/SP e na Produtora Argumento/SP. Editor de texto no Fantástico, TV Globo/SP. Repórter em vários jornais de Porto Alegre, São Paulo e Brasília.

Dia 310

Roraima está cometendo um crime contra a população indígena porque não existe transparência na distribuição das vacinas nos estados da federação.
A sociedade tem que usar os meios de comunicação para pressionar o Ministério da Saúde e forçar urgentemente a transparência na distribuição das poucas vacinas contra a covid-19 que temos por enquanto no Brasil. A vacinação será um processo lento, com pequenas cargas e grandes intervalos, e os vilões, os espertos, os corruptos camuflados estão saindo dos esgotos. À frente do Ministério da Saúde está um general incompetente que não conhece nada do setor e enganou sobre sua eficiência de Logística. Ele está agindo pressionado e sem planejamento, portanto, está criado um campo aberto aos oportunistas sorrateiros e endinheirados.
O Projeto de Lei do Senado estabeleceu que a vacinação contra a Covid-19, gratuita, deve abranger toda a população-alvo brasileira, definida com base em parâmetros científicos pelo Poder Executivo, priorizando os grupos mais vulneráveis à doença: profissionais de saúde, idosos e pessoas com doenças crônicas. Critérios técnicos também deverão nortear a distribuição das doses: dados demográficos, epidemiológicos e sanitários. Ora, que esses critérios sejam explicitados e que as autoridades locais não possam alterá-los. A largada da vacinação foi atabalhoada por conta da disputa com São Paulo e os cretinos de sempre estão furando filas, usando de subterfúgios e de seus cargos em algum órgão municipal, estadual, ou federal. As “autoridades” estão farejando a falta de comando nacional e mudam os critérios a seu bel prazer. Temos que cobrar agora, ou tudo fugirá do controle.
Vejam o caso de Roraima. A população indígenaé de 70 mil em mais de 300 comunidades dos povos Macuxi, Wapichana, Ingarikó, Patamona, Taurepang, Wai Wai, Yekuana, Yanomami, Sapará, Pirititi e Wamiri Atroari. Por essa razão, o estado teve seu número de doses ampliado porque sua população é pequena: 630 mil habitantes, portando indígenas são mais de 10%.
Recebeu 87.720 doses. A divisão feita pelo Ministério previa 77.360 destinadas aos indígenas e 10.360 para os trabalhadores da Saúde e 100 idosos abrigados pelo estado. Como são duas doses, deveriam ser vacinados 38.680 indígenase 4.980 para profissionais da saúde (excluindo as 200 doses para idosos). Pois bem, o governo de Roraima triplicou o número de doses da vacina para profissionais da Saúde e reduziu a quota dos indígenas, segundo dados da Coordenadoria de Vigilância em Saúde. É um escândalo, um crime genocida. O governo de um Estado que tem tradição de confrontos contra seus índios tem que ser cobrado por essa atitude, e deve ser forçado a mostrar a lista de quem foi efetivamente vacinado. E, se der tempo, o Ministério Público Federal deveria confiscar as doses e forçar a vacinação já dos índios.
O Amazonas tem 168 mil indígenas declarados, por isso recebeu 282 mil doses, mesmo tendo uma população total de 4,2 milhões de habitantes. Se fosse seguida a proporcionalidade sem a presença indígena, por conta desses 2% da população brasileira receberia um lote 120 mil vacinas. O Estado recebeu mais que o dobro de doses por causa da grande população indígena. Não é pra vacinar filha de milionário e de deputados. Por isso, temos que cobrar a transparência das doses que vão para cada estado e por quê? E temos que saber quem foi vacinado, pra evitar que os negacionistas e bolsominions – usando de sua fortuna e posição social, escondidos como ratos – furem a fila e condenem os mais fragilizados e os que sempre lutaram pelo distanciamento social, uso de máscara e, principalmente, pela vacina que eles tanto desprezaram.

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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