Diário da Quarentena-Como evitar uma tragédia no Rio Grande do Sul?

Por Caco Schmitt

Jornalista, roteirista e diretor. Trabalhou na TV Cultura/SP como diretor e chefe da pauta do jornalismo; diretor na Agência Carta Maior/SP e na Produtora Argumento/SP. Editor de texto no Fantástico, TV Globo/SP. Repórter em vários jornais de Porto Alegre, São Paulo e Brasília.

Dia 338

Em quase um ano de pandemia, nunca houve mil pessoas com covid, ao mesmo tempo, internadas em UTIs no Rio Grande do Sul. Nessa sexta-feira chegamos a este que é o maior número e já apontaria a necessidade de medidas radicais para redução do contágio. Mas não é o que acontece por culpa de governantes fracos e de prefeitos negacionistas. O quadro no estado é alarmante e as autoridades responsáveis parecem estar de férias. Até a imprensa reduziu sua cumplicidade e tocou no assunto com mais energia, afinal: 82,3% dos leitos de UTI do RS estão ocupados e destes 45,2% são de pacientes com o novo coronavírus.

João Gabardo, que foi secretário de Estado da Saúde e secretário-executivo do Ministério da Saúde, alerta: “Só aumentar UTI não resolve, mais de 50% dos internados vão a óbito. Reduzir a possibilidade das pessoas se infectarem é imperativo”. Claro que não é o que acontece no Rio Grande do Sul. Pelo contrário, tudo está a favor de um ritmo maior de contaminação. As aulas voltarão na segunda-feira, com lotação plena! E o que é pior, escutei agora no rádio que as escolas públicas ainda estão sujas, e só serão limpas neste fim de semana, na correria. Uma tapeada para receber nossas crianças e adolescentes. O comércio segue a pleno, sem restrições especialmente em Porto Alegre, onde o prefeito eleito com aval do Bolsonaro, mandou abrir tudo irresponsavelmente. E por aí vai…

E por que tragédia? Já faltam leitos para as outras doenças. Os hospitais Moinhos de Vento e de Clínicas estavam com as cirurgias eletivas suspensas, agora pela manhã o Hospital Conceição também decidiu suspender por 15 dias. São três referências na capital no tratamento da covid-19, mas também para outras enfermidades. A situação é tão dramática que o Hospital de Clínicas com 100% dos 87 leitos de UTI ocupados, abriu hoje sete novas vagas, elevando para 94. Até 11h30min (quando escrevo), seis já haviam sido ocupados. Vejam a rapidez da demanda por vagas. E esse quadro se repete por todo interior do estado, a ponto dos responsáveis pelo sistema de regulação hospitalar e ambulatorial do estado alertarem que daqui suas semanas atingiremos o pior momento de toda pandemia. Por isso pergunto: haverá tempo? A tragédia virá por culpa da omissão e dos reflexos das aglomerações do carnaval, da volta às aulas, do comércio aberto sem regras, transportes lotados, das pessoas mal-educadas sem máscaras e, pior, por conta da veloz transmissão das novas variedades já em circulação por aqui.

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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