Vila Planalto, Vila mulher-Por Leiliane Rebouças

Por Leiliane Rebouças/Central de Jornalismo
3 de março de 2021

Encravada no centro de Brasília entre o Palácio da Alvorada e a Praça dos Três Poderes, a Vila Planalto é um exemplo de como o protagonismo feminino promove mudanças significativas na sociedade melhorando a vida das pessoas.

No início da construção de Brasília a maioria da população era composta por homens que trabalhavam nos 22 acampamentos que constituíam a Vila. Mas, as mulheres, embora em menor quantidade, estavam sempre presentes e contribuiram para o desenvolvimento da nova capital também, não apenas durante a construção da cidade!

Elas eram as professoras que ensinaram os primeiros candanguinhos, como Dona Wanda Corso, a Dona Aparecida Cardoso, A Dona Norma, e a Dona Iza ( esposa do senhor Geraldo do Armazém), entre tantas outras que já não estão entre nós.

Elas eram as lavadeiras de roupas, como as saudosas Dona Suzana Mendonça , Dona Maria de Jesus e Dona Clotilde entre outras… Eram as Donas de Pensões como a Dona Neguinha, a Dona Luzia ( esposa do Pastor Sr. Miguel). Eram as serventes da escola como a Dona Helena, Dona Terezinha, Dona Alzira, a Katia, Dona Lia…

Elas eram costureiras como a minha Mãe, Dona Albaniza. Eram comerciantes como Maria do Chapéu, Dona Luzia, Dona Creuza… Doceiras e Salgadeiras como Dona Salvina… Muitas vezes além de exercer outras profissões eram as donas de casa que criavam as crianças , cuidavam dos lares. Donas de casas cujo trabalho extenuante sempre foi invisibilizado.

Na luta por moradia, foram as mulheres da Vila as protagonistas para a fixação dos moradores. Elas se reuniram e formaram o Grupo das Dez ( Bené Barros, Wanda Corso, Aparecida Arantes, Icila Damasceno, Ercília, Dona Maria Vicentina, Dona Alzira, Leila Regina Lopes Rebouças , Ana Lúcia Silva , Dona Albaniza, Florisa e Fia ) que após a entrega da minha carta ao Sarney assumiram a frente nas lutas por melhorias na Vila e conseguiram trazer o posto de saúde, fundar a Creche Comunitária conduzida pela Dona Wanda , a Maura e a Efigênia; criar o Centro Social que foi presidido pela D. Wanda, Aparecida, A Ana Lucia que na época criou a padaria comunitária, a Florisa, a Jaira entre outras… Mulheres como minha mãe que junto ao Donizete e com apoio da Dona Icila e outras mulheres de luta da Comunidade fundou o Grupo da Terceira Idade. Mulheres como a Saudosa Glaucia Aguiar que fundou aqui a Casa Lar Ampare dirigida hoje por sua irmã Maíza.

Mas, o Grupo das Dez só conseguiu conquistar o que conquistanos com a ajuda de outras mulheres que faziam parte do GT Brasília e dele fazia parte a Sandra Beatriz Zarur , a Gloria Schmall , a Yeda Barbosa, Maria Elaine Kohlsdorf e a nossa querida e saudosa Briane Bicca. Bem como a Sussu e a Concília do antigo Cebem.

Se hoje a Vila tem asfaltamento, rede de esgotos, centro de saúde, iluminação pública de qualidade, escola, e todas as benfeitorias foi graças a luta das mulheres! Mulheres que deixavam suas casas e afazeres domésticos, enfrentavam as furias dos maridos e companheiros e levavam as suas crianças para as reuniões , audiências com governo, programas de rádio, para reivindicar direitos! E falando em direitos, tivemos uma grande advogada que lutou nas trincheiras conosco, a saudosa Doutora Cecília Robatini!

Na luta pela restauração do Conjunto Fazendinha também somos nós as mulheres: Leilane; a Rita, a Efigênia, a Jaira, A Maiza, a Maria Bonita, que estamos a frente com a ajuda de outras mulheres como a professora Yara R. Oliveira e da Bia para que nosso patrimônio histórico seja preservado!

Hoje, a Vila conhecida como “polo gastronômico” também deve às mulheres por esse título!

E são elas, as moradoras antigas que tocam grande parte dos restaurantes e comércios da nossa Vila: Dona Méa e Luciana na Docelu; Dona Helena no restaurante Quintal da Vila; O Pedaço de Puzza; A Catarina no seu Quiosque da Catarina; a Dona Graça com sua comida nordestina maravilhosa; a Tia Zélia preferida do Lula; o 61 da Delaine Santos , A Dalva com seu restaurante Dalva & Cia; a Lojinha do Sabor que também é tocada por uma mulher; O restaurante Dona Maria, A Feijoada da Tia Odete; o Quiosque da Branca; o Açaí da Nandinha; o espetinho da Irene; O quiosque da Angela; as marilhosas cestas e biscoitos da Dona Gley Lima ; a Eva Festas da Eva Xavier ; o Fogão de Pedra da Elba, entre outros.

A Vila Planalto, a Vila dos restaurantes, a Vila Patrimônio Histórico do DF é a Vila das Mulheres.

Leiliane Rebouças.

Administrador

Fonte Segura: Central de Jornalismo

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