Diário da Quarentena-Meu último

Por Caco Schmitt

Jornalista, roteirista e diretor. Trabalhou na TV Cultura/SP como diretor e chefe da pauta do jornalismo; diretor na Agência Carta Maior/SP e na Produtora Argumento/SP. Editor de texto no Fantástico, TV Globo/SP. Repórter em vários jornais de Porto Alegre, São Paulo e Brasília.

Dia 365

2020 foi o ano mais longo da minha vida, se é que podemos medir a intensidade dos anos. No dia 20 de março comecei a quarentena, freezer comprado, comida na geladeira, latas no armário, álcool em gel e a esperança de que logo retornaríamos às ruas, cheio de histórias pra contar. Um ano depois, voltamos, sim, ao ponto de partida!

A quarentena iniciou rígida, sem pé pra fora. A partir do quarto mês, saidinhas de carro, levando a própria comida. Seguiu assim: sem super; nem bar! Apenas uma feirinha no bairro, farmácia da esquina e uma corridinha à Rota Romântica, comprar chocolate, queijos e embutidos. Quando novembro chegou, os números de mortes e de infecções caindo, pensei: com vacina, a partir de janeiro vamos retomar a normalidade. Ledo engano, a montanha russa voltou a subir e não desceu mais. A vacina não veio e voltamos, sim, mas a março de 2020, com um ano pesado nas costas, quase 300 mil mortes e muitas incertezas!

Nesse último texto do Diário não vou retomar as críticas. Encerro esse registro saudando a vacinação de amigas e de amigos, mães, pais e parentes dos amigos, figuras da cultura, da boa política, enfim, gente do bem ficando livre do contágio. Um alento em meio a tantas más notícias desse governo perverso e seus estranhos seguidores! Que venham mais doses! Eu saúdo a resistência! Vamos superar as trevas, que permaneça a felicidade e sobreviva a nossa alegria de repartir o que há de bom. Eles passarão, nós passarinho!

Por último, agradeço à família, a todas amigas e todos os amigos que ao longo desses 365 dias — e que seja por toda a minha finita eternidade — foram a razão de conseguir driblar a loucura, preencher o vazio da solidão, suportar o fardo da angústia e dos medos e sonhar com o amanhã. Foram 365 dias de solidão compartilhada e, sem dúvida, esta foi a razão principal da resistência! Segue a luta e nos vemos por ai. Abraços.

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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