A arte que constrói Brasília-Hoje, Adroaldo Quintela Santos

Central de Jornalismo
Por Adroaldo Quintela Santos
21 de março de 2021
Foto:Adal Neto

Em Brasília temos um domingo típico do outono europeu. Sol tímido, céu nublado, baixa temperatura e umidade elevada – porque tem chovido bastante desde fevereiro.
Saí antes das 9h00 para caminhar e meditar. Ruas mais silenciosas do que o habitual. Pouca gente se arvora a sair de casa. Pais passeando com carrinhos de bebê (filhos da pandemia) e um punhado de viciados em atividade física correndo ou andando rápido. O parquinho de crianças estava rigorosamente vazio às 10h00 da manhã.
Caminhar no silêncio possibilita fazer um balanço da semana anterior e projetar os próximos compromissos e atividades. Tenho reuniões da Associação Brasileira de Economistas pela Democracia e da Rede Nordeste, a partir da segunda-feira.

Dois assuntos roubam a cena na minha mente praticamente deserta. O primeiro diz respeito ao avanço da pandemia e a possibilidade de vacinação. Nunca tive tanto medo nos últimos doze meses. Posso afirmar que estou apavorado com a situação do país. As mortes e contaminações se aproximam de cada um de nós. Quase todo dia tenho notícia de pessoa conhecida ou familiar vitimado pela covid 19.
Entristeço quando interpreto as estatísticas e leio as notícias do apagão nos sistemas de saúde público e privado, ante à demanda desenfreada de pacientes contaminados. Quando testemunho o presidente e o ministro da saúde boicotando as ações efetivas dos estados e municípios para controlar o avanço da pandemia em seus territórios, simplesmente aumento a raiva e ódio deste governo genocida. Não há perspectiva de reversão da aceleração da pandemia no curto prazo.
Do ponto de vista pessoal é provável tomar a primeira dose da vacina nos próximos 15 dias. Mas o que é bom para mim não alcança a maioria da população, especialmente os socialmente e economicamente vulneráveis que estão mais expostos à virulência da covid. Portanto, estaremos juntos lutando por mais vacinas, auxílio emergencial de R$600,00 e fora Bolsonaro.

O segundo assunto a ocupar o vazio da mente é surreal. Trata-se de e-mail do autointitulado Conselho de Moradoras de um prédio situado no Sudoeste, bairro de classe média alta de Brasília. A missiva eletrônica dirigia-se a uma moradora recomendando usar bermudas e trajes adequados nas áreas comuns. Isso porque o uso de shorts e roupas de ginásticas causa constrangimento entre os casais.
O inusitado e-mail está sendo alvo de demanda judicial por parte da moradora. Virou notícia na mídia local. Até onde sabemos não existe este tipo de conselhos na convenção e regimento interno de condomínios.
Tomara que a justiça dê ganho de causa à moradora, pois preconceito é uma das doenças mais graves dos tempos atuais. O Brasil careta, conservador e virulento saiu do armário. Ameaça à convivência sadia, a ordem democrática e a coesão social.

A vida continua. Cuidados e solidariedade individual e coletiva são revolucionários nos tempos de pandemia e pandemônio político. A esperança é o tônico que nos move para projetar um Brasil melhor no futuro próximo.

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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