Brasileiros felizes da Forbes-Por Grace Maya

Como 11 brasileiros entram para a lista da Forbes esse ano ?

Por Grace Maya
Central de Jornalismo
19 de abril de 2021

Alguns anos atrás, comecei a me interessar em buscar entender porque eu,com toda minha suposta capacidade intelectual, aos meus 30 anos, ainda não tinha conseguido nem metade do que meus pais haviam conseguido com a mesma idade. Eles começaram do zero e viraram milionários trabalhando, um imóvel de cada vez, nenhum milagre, uma escolha, jamais gastar com prazer, nunca ir a um restaurante, teatro, colocar os filhos na escola militar, não comprar presentes, comer o básico, viver no básico. A grana era para pagar as parcelas dos imóveis que fazem parte de seu patrimônio hoje. Da minha parte, custou a felicidade da minha infância, custou minha infância, viver entre ricos, como se fosse pobre e testemunhar as brigas infernais que as dívidas causavam durante décadas. O de grana sempre foi um pesadelo, algo desprezível e asqueroso, um trauma de infância. Juntando com a culpa cristã decolonialista, foi a receita para eu não conseguir fazer o mesmo.
Eu nasci pseudoburguesa, meu pai é militar e não aprendi a vender nada na vida, e ao ficar adulta comecei a ver que precisava de grana, para fazer coisas, pagar contas, contas e prazer também, comprar um vinho, viajar, e depois que resolvi me dedicar a vida artistica, comecei a precisar de grana para financiar meus curtas, publicar meus livros, essas coisas que nunca encontrei alguém pra pagar. Aí estava o problema de novo: falta grana!
Definitivamente o tema grana sempre foi uma incógnita permanente na minha vida, é algo que não tenho vergonha de dizer, que me faz perder noites de sono, e essa lista da Forbs me mata quando ela sai! Fico louca pensando sobre isso. Esse ano está pior, tem 11 novos brasileiros, novos!!! Ou seja, a princípio, por uma dedução lógica básica, podemos concluir que lucraram com a pandemia! Mas como?
Me lembro que em uma viagem, em algum aeroporto, li quase um livro todo, que não me lembro o nome, sobre os bilionários da Forbs. O autor do livro, dizia que por anos foi responsável por encontrar os bilionários da lista da Forbs. “Encontrar” , porque dizia que tinha que convencer os caras de dizerem quanto de grana eles tinham, e, como nem pobre gosta de dizer isso, ele tinha que usar de sua simpatia para conseguir as entrevistas e os dados.
Ao final, dava uma explicação simplista de onde vinha a grana, falando muito bem de todos. Óbvio, imagino que alguns deles devem até ser simpáticos e sem dúvida carismáticos de algum modo e é claro também que, quem escreve ao contrário, não ganha dinheiro, posso afirmar.Convenceria a um desavisado, mas era notório que, em nenhum momento, ele tocou no tema mais importante: a grande mesa de poker que é a bolsa de valores! O banco imobiliário de gente grande, a especulação do mercado financeiro! Não, não falou nada sobre isso e nem pensou em tocar no tema das consequências dessa especulação para a economia mundial.
O Obama, o Putin, o dono da Virgim, o Elon, são uns machões, estilo James Bond, que em meu delírio de Vênus em Peixes, me encantam e consigo esquecer por alguns segundos as mortes de milhões de pessoas no mundo e achar eles muito lindos! Okay, mas só por alguns segundos posso esquecer de todos os resultados das jogadas de mestre desses bonitões. Jamais defenderia nenhum deles!
Tem uma série do Netflix, que se chama Billions, tem um bonitão desses, aí se vê claramente que aquele famigerado “sonho de pobre” de querer ser rico para não trabalhar, não faz parte do imaginário dessa galera. Eles estão sempre sob pressão. Então volto a me perguntar: como essa galera tem tanta grana e que eles pensam pra ter tanta grana?
A onda deles é jogar para ganhar! Na verdade, eles não se importam nem mesmo com o dinheiro, se importam em seguir na mesa e ganhar, são viciados nessa adrenalina, pulsão de morte. Estão dispostos a qualquer coisa, como qualquer viciado em droga, e aí está o segredo, eles não se importam de lavar dinheiro do tráfico de drogas, armas e pessoas. Essa é a grana que não sabemos de onde vem, esse é o segredo!
Essa é a grana que a Universal lava, é essa grana que o comércio de alta costura lava, essa éa grana que o que é considerado “arte”lava, é essa grana que que a indústria farmacêutica lava…daí podemos entender porque essa galera ficou mais bilinonária, não é lucro, não é trabalho, não é ter um bom produto, é sim ter um produto que disfarce bem o fluxo absurdo de grana do mercado negro nos caixas, sem que seja percebido e dectado pela receita. O segredo é um produto que funcione para lavar dinheiro e não um produto em si. Nem a Amazon, nem a Universal seriam nada disso sem o tráfico por detrás.
Por trás desses bonitões, tem um mal sem cara, sem rosto! Por detrás desses bem sucedidos, tem um cara que sequestra uma crianças para tirar um orgão, tem o cara que tortura alguém em algum calabouço para conseguir informações, tem alguém que sequestra um mulher e a faz de escrava sexual, tem alguém que mata uma família inteira por vingança, tem o compercio de armas entre pseudo inimigos, por detrás do político, do pastor, tem algo ainda muito pior do que eles conseguem ser!
Pois é, já nos acostumamos com as mortes políticas, já chegamos ao ponto de aceitar 4 mil mortes por dia, como algo aceitável e posso seguir tomando meu vinho. Mas essas outras mortes que só vejo no Netflix, o que faço com elas? Será que estamos acostumados com essas mortes também? Não, elas sim, me tiram o sono, me tiram a fome, e azedam meu vinho e minha vida numa dose de bílis negra diária, que me faz pensar que a vida é insuportável.
Bom, aí diferenciamos, é aqui que sou diferente deles. Pode ser que eu já me acostumei com todo sofrimento que há no mundo, me tornei mais fria, mais cínica com o passar dos anos, me sinto incapaz de mudar o mundo, e me lembro desses momentos quando acreditei nisso, como momentos de debilidade mental, mas algo que não consigo acostumar é com ideia de participar dessa forma desse mercado, então vejo que cruel é necessário para ser, para conseguir entrar nessa lista.
Mas como os cristão vão às igrejas manter a lavagem de dinheiro possível, e não querem crer que seus pastores milionários lavam grana do tráfico, não seria justo pedir que os pastores pensem isso. A ambição e megalomania dos cristãos que se pensam filhos do cara que criou o universo e que serão os únicos dignos das férias eternas da cidade de jade, comendo melancias gigantes tão pouco é algo honesto, além de delirante é perverso, coaduna com a aposta celeste, a aposta das apostas.
A aposta! Essa é a base da nossa sociedade, esse é o segredo, a adrenalina da aposta que é mais forte que a bílis! A aposta! A famosa briguinha do Jeová com o demônio, que fazem de almas humanas as fichas dessa mesa que é a nossa vida.
Os grandes bilionários são os verdadeiros discípulos de Jeová, eles são “apostadores que nem o pai”, e no final do dia, ganham no mínimo, a aposta maligna que nós burgueses vamos seguir mansinhos como ovelhas, comprando a nossa coca-cola diária, para posar na foto do Instagram e fingir que nossas vidas valem à pena e culpar o presidente louco de todas essas mortes.
Será que não somos mais cínicos que eles? Talvez! Mas somos seguramente apostadores ineptos e preguiçosos, que preferimos trabalhar pro senhor do engenho toooodos os dias a ter de suportar ter de pensar nisso todos os dias!
Faço uma análise de quanto colaboro com tudo isso? Me pergunto se a solução seria o terrorismo? Não, nem o terrorismo é capaz de freiar essa máquina capitalista, porque tem a mesma raiz, a aposta. Então me entrego ao vinho e passo mais um dia incapaz de sanar a dor de ser testemunha de tudo isso, incapaz de ter grana, incapaz de tanto e de tudo! Para piorar, não estou sozinha, estou cercada de intelectuais muito preocupados e sonhadores que pregam o bem de forma fantasiosa. Talvez seja essa solução, talvez a felicidade e a fantasia sejam as únicas formas de resistência, talvez.

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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