A ambição é diferente da ganância- Por João Bani

Há muito tempo atrás, alguém, observando uma frase minha mal colocada, me alertou que a ambição é diferente da ganância. Concordo.

Por João Bani
Central de Jornalismo
8 de maio de 2021

A ambição levou Jorge Ferreira a construir uma grande rede cultural, de entretenimento e gastronomia em Brasilia, que é a cara da cidade, e de difícil similaridade em outra capital, por ser especial. Isso é positivo, isso é criar desafios grandes e crescer junto com eles. Isso é ambicionar, almejar, querer.

Já a ganância de empresários que exploram seus artistas contratados e seus empregados, Jorge não teve. Que bom. E é isso que fez a diferença e se reflete no carinho que vemos nas páginas daqui do Facebook. E que a gente vê nas casas que ele criou. Aqui no Rio algumas casas abocanham a metade do couvert e dos ingressos e repassam somente a metade aos músicos. Jorge repassava 80%, com som de qualidade, divulgação e consumo decentes.
A gente vê na disposição que ele teve de atender a convocação de negociar nacionalmente uma proporção mais justa de repasse de couverts e ingressos artísticos nas casas noturnas através de projeto de lei. Em audiência publica no Senado, sobre essa proposição de destinação total (100%) do couvert para os músicos, Jorge, representando as casas noturnas, teve um bom debate com os nossos representantes do SindMusi Rio de Janeiro, a presidente Déborah Cheyne e o diretor Anjo Caldas, bem como do Thiago Kobe Freixo um dos líderes do Movimento “Age Músico”, e pudemos abrir uma negociação muito positiva para que esse tema tão sério e importante para a vida de tantos profissionais, pudesse ser conduzido com seriedade. Lamentavelmente, nosso interlocutor se foi.

Figuras como Jorge indo embora me dão saudades de Brasilia em dobro, pelo tempo da cidade que não vivi. O conheci pouco, mas as poucas vezes que toquei no Feitiço Mineiro, inclusive a ultima, estão gravadas de forma muito positiva tanto profissionalmente quanto no coração, endossadas por gente que amo, como meu irmão Raimundo Sá Teles, amigo e colaborador de Jorge, e Dora D’oliveira Gonçalves, que trabalhou com ele tantos anos, e tantos, tantos amigos e colegas de ofício , gente de qualidade inquestionável, hoje orfãos de um irmão que tornou a Capital Federal mais divertida, solidária, alegre e poética.

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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