Ainda Estou Aqui :: Walter Salles prepara filme sobre crimes da ditadura militar

Por Bruno Carmelo/Papo de Cinema
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Central de Jornalismo
20 de julho de 2021

Walter Salles já definiu seu próximo projeto de longa-metragem. O diretor de Central do Brasil (1998), Diários de Motocicleta (2004) e Linha de Passe (2008) anunciou que está preparando Ainda Estou Aqui, um filme baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva. Esta é uma história pessoal tanto para Paiva, que conta sua biografia, quanto para Salles, que conviveu com a família do escritor durante a pré-adolescência.

A trama se desenvolve durante a ditadura militar. Quando o pai do escritor, o deputado Rubens Paiva, foi levado para depoimentos pelo governo, nunca mais retornou. Eunice Paiva, esposa do político, lutou durante anos para descobrir o paradeiro e os restos mortais do marido. Ela apenas interrompeu os protestos quando começou a lutar contra o Mal de Alzheimer. Após muitos anos, a Comissão da Verdade determinou que Rubens Paiva foi torturado e executado pelos militares.

Salles já escolheu a atriz responsável pelo papel de Eunice Paiva: Mariana Lima, de A Busca (2012) e O Banquete (2018). “Nós já tínhamos conversado sobre trabalhar juntos, mas eu esperei para encontrar o papel que pudesse realmente explorar o talento extraordinário dela para dar origem a este personagem”, explicou o cineasta ao Deadline. O roteiro foi escrito por Murilo Hauser (A Vida Invisível, 2019), com supervisão do diretor. As filmagens se iniciam apenas em 2022, e o Globoplay está em fase de negociações para adquirir os direitos de produção executiva e distribuição no Brasil.

Ainda Estou Aqui, ou I’m Still Here no título internacional, será comercializado durante o Mercado do Filme do Festival de Cannes 2021 – um dos maiores eventos de negócios audiovisuais do mundo. Salles preparou uma apresentação especial a possíveis compradores do mundo inteiro. O projeto se mostra particularmente relevante no Brasil 2021, impactado pela política da extrema-direita, e governado por um presidente que defende a ditadura, a tortura e os torturadores.

Por Bruno Carmelo

Crítico de cinema desde 2004, membro da ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema). Mestre em teoria de cinema pela Universidade Sorbonne Nouvelle – Paris III. Passagem por veículos como AdoroCinema, Le Monde Diplomatique Brasil e Rua – Revista

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