Empresas que venderam R$45 milhões ao governo tem salas vazias e interfone quebrado.

Uma delas vendeu leite condensado ao Comando do Exército em 2020.

Por Paulo Cappelli e Eduardo Barretto/ Revista Época
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Central de Jornalismo
01 de fevereiro de 2021

Saúde e Vida Comercial de Alimentos, que recebeu R$ 12,5 milhões do governo federal desde 2014 Foto: Paulo Cappelli/Coluna Guilherme Amado/Agência O Globo
Saúde e Vida Comercial de Alimentos, que recebeu R$ 12,5 milhões do governo federal desde 2014 Foto: Paulo Cappelli/Coluna Guilherme Amado/Agência O Globo
Com R$ 45 milhões em vendas ao governo federal até o fim de 2020, três empresas de uma família em Brasília têm endereços humildes, vazios e que passam despercebidos pelos vizinhos.

A Saúde e Vida Comercial de Alimentos chamou atenção nesta semana pela venda de leite condensado ao Comando do Exército em 2020, após uma matéria do Metrópoles no último domingo ter mostrado os gastos de toda a administração federal no ano.

No Portal da Transparência, em uma das vendas da loja constam duas unidades de leite condensado ao preço unitário de R$ 162, um valor impensável.

A empresa e o Ministério da Defesa alegaram que as duas caixas, na verdade, continham 27 latas cada.

De todo modo, a Saúde e Vida já recebeu R$ 12,5 milhões do governo federal, de 2014 até o mês passado.

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Saúde e Vida Comercial de Alimentos Foto: Eduardo Barretto/Coluna Guilherme Amado/Agência O Globo
Saúde e Vida Comercial de Alimentos Foto: Eduardo Barretto/Coluna Guilherme Amado/Agência O Globo

Essa empresa é de Azenate Abreu.

Seu filho, Elvio Abreu Junior, é dono da DFX Comércio, que obteve R$ 25,4 milhões do governo federal de 2014 até agosto de 2020.

A mulher de Elvio Junior, Cynthia Abreu, por sua vez, é dona da Schuab Abreu Engenharia, que já auferiu R$ 7,1 milhões da União, de 2015 a dezembro de 2020.

Com contratos rotineiros com órgãos militares, a empresa tem duas pessoas que já vestiram a farda do Exército: um funcionário e ex-sócio, Walmerson Ryller, e Junior.

As três firmas são vizinhas em prédios comerciais no Cruzeiro, bairro de classe média de Brasília.

Ficam no subsolo e são discretas.

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A coluna visitou as empresas três vezes nesta semana, na quarta-feira e quinta-feira, em horários de expediente distintos.

As salas comerciais estavam sempre de portas fechadas.

Os vizinhos desconhecem que ali aconteçam vendas frequentes ao governo federal, e muitos não sabiam os nomes dos estabelecimentos.

Apenas em uma vez, na DFX, foi possível notar luzes acesas por trás dos vidros da porta trancada a cadeado — que logo sumiriam atrás de uma cortina, após uma tentativa de contato.

DFX Comércio Foto: Paulo Cappelli/Coluna Guilherme Amado/Agência O Globo
DFX Comércio Foto: Paulo Cappelli/Coluna Guilherme Amado/Agência O Globo

Não há identificação visível ou funcionários. Os interfones estão quebrados.

Procurado na quarta-feira, Elvio Abreu Junior concordou em dar uma entrevista, mas desistiu no dia seguinte, por orientação de seus advogados.

O advogado à frente do caso, Nelson Willians, afirmou que as lojas estão ativas e funcionam no horário comercial, mas “às vezes ficam fechadas devido à pandemia ou à entrega de produtos”.

Segundo o defensor, as salas estão fechadas “por razões de segurança” para evitar “ataques”, e são pequenas e modestas porque “os materiais são comprados com entrega direta ao cliente, sem depósito”.

Willians disse ainda que não forneceria uma prova da capacidade financeira das empresas por “sigilo financeiro e compliance”.

(Por Paulo Cappelli e Eduardo Barretto)

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