Lula dispara nas redes sociais, Bolsonaro cai, e “centristas” comem poeira-Por Balaio do Kotscho

Central de Jornalismo
08 de abril de 2021
Por Balaio do Kotscho

Trinta dias após o ministro Edson Fachin anular as condenações de Lula na Lava Jato e do STF reconhecer a suspeição do ex-juiz Sergio Moro, houve uma reviravolta nas redes sociais: o ex-presidente disparou, Bolsonaro ainda lidera com folga, mas diminuiu a diferença, e os candidatos de “centro” registraram desempenho medíocre.

A conclusão é do novo levantamento feito por Manoel Fernandes, diretor do instituto Bites, que acompanha e analisa o desempenho dos presidenciáveis nas redes sociais. Vamos aos números:

  • Lula tem agora o triplo de interações (45.108) em relação ao período de janeiro de 2019 até 7 de março deste ano (15.452). O salto foi de 191%.O ex-presidente chegou nesta quinta-feira com 8,3 milhões de seguidores nas redes sociais. Desde a decisão de Fachin, Lula conquistou 739 mil novos seguidores nos seus perfis oficiais e, a cada dia, adicionou 24.549 aliados digitais contra a média anterior de 5.131.
  • Esse contingente ainda é cinco vezes menor do que o ecosssistema de Bolsonaro, hoje com 40 milhões de seguidores em seus perfis sociais, mas desde a decisão de Fachin a média de interações por post na rede do presidente caiu 14%. Saiu de 119.477 de janeiro de 2019 a 7 de março para os atuais 102.302.
  • Mesmo com a entrada de Lula no jogo, e apesar da sua queda nas interações, Bolsonaro ainda mantém sua capacidade de utilizar a rede de amigos para amplificar mensagens publicadas nos últimos 30 dias. O presidente não perdeu seguidores e ganhou 280 mil aliados digitais no período.
  • Nomes fora da polarização, como Ciro, Doria e Moro, não estão encontrando espaço para chamar a atenção da opinião pública. Nos últimos 30 dias, Ciro ganhou 77.104 seguidores, Doria aumentou sua base para 59.632, e Moro ganhou 9.208.

Estes números vão na mesma linha de outro estudo feito pela consultoria Quaest, publicado hoje pela Folha, em que Bolsonaro e Lula aparecem empatados tecnicamente no início desta semana.

“Os dados de agora mostram uma euforia em torno de Lula em um espaço no qual Bolsonaro sempre foi líder absoluto. Se esse quadro se mantiver, os dois vão polarizar a disputa. Eles alcançam patamares muito altos no levantamento e devem acabar tragando o centro”, analisa o cientista político Felipe Nunes, responsável pelo estudo da Quaest.

Contingente de seguidores nas redes sociais não significa, necessariamente, que possa ser traduzido em votos, o que só poderá ser aferido nas próximas pesquisas eleitorais sobre a disputa de 2022.

Nas pesquisas divulgadas até agora (o Datafolha ainda não fez um novo levantamento sobre eleição presidencial após as decisões do STF), Lula já aparece à frente de Bolsonaro nos dois turnos e os demais pré-candidatos não alcançam dois dígitos, o que torna cada vez mais difícil encontrar o nome competitivo da “terceira via”.

Como o cenário político continua completamente instável, sujeito a chuvas e trovoadas em Brasília, e tudo pode mudar daqui a meia hora, é arriscado fazer previsões para 2022. Mas os indicadores das redes sociais, que se tornaram o principal palco da disputa política, servem de parâmetro sobre o que pode vir a acontecer.

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