Com roupas fazendo alusão à Ku Klux Klan, bolsonaristas pedem que “deus perdoe os torturadores”

Para a Associação Cultural Pilão de Prata, o grupo “agiu violentamente de forma racista e criminosa”

Por Lucas Rocha/Revista Fórum
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Central de Jornalismo
03 de maio 2021

No mesmo dia em que bolsonaristas encheram a Avenida Paulista para “dar um recado” ao presidente Jair Bolsonaro de que estariam a favor de uma intervenção, um grupo se aproveitou dos trajes da Procissão do Fogaréu para estender faixas em apoio ao presidente na Cidade de Goiás, no sábado (1º). Associação cultural da cidade condenou o ato e enxergou que as roupas foram usadas para remeter ao grupo racista de extrema-direita Ku Klux Klan.

A Associação Cultural Pilão de Prata divulgou nota repudiando “o ato organizado pelo grupo apoiador de Bolsonaro na manifestação ocorrida na cidade de Goiás em 01 de maio de 2021, que agiu violentamente de forma racista e criminosa criando aspectos de violência simbólica latente inspirados na seita Ku Klux Klan, assassina de povo negro”.

“Mancharam o simbólico religioso da cidade de Goiás ao vestirem as indumentárias representativas da Procissão do Fogaréu, tão cara para a cultura de nossa cidade”, afirmam. A procissão acontece na quinta-feira Santa, portanto não há relação direta do uso das roupas com a festividade religiosa.

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Nas faixas apareciam os seguintes dizeres: “Nosso Brasil pertence ao Senhor Jesus (…) com Bolsonaro” e “Deus perdoe os torturadores”. Elas foram estendidas em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, um marco da religiosidade dos escravos na cidade.

A historiadora goiana Natália Pessoni também condenou o episódio. “Transformar [o 1º de Maio] em um dia de verdeamarelismo e clamor por intervenção militar é um desrespeito ao povo e à democracia […] Já aqui vemos pessoas que subiram alguns degraus a mais na escalada de insanidades que estamos presenciando e normalizando nos últimos tempos. Essas imagens foram feitas da Cidade de Goiás e desde a primeira vez que as vi, enviadas pela Fabiana Pessoni, me causaram pavor imenso”, tuitou.

“Só para contextualizar: sim essas são vestes de farricocos da Procissão do Fogaréu. Nada mais natural, já que estão em ‘Goiás Velho’, não é? Não, não é. Como sabemos existem vestes de várias cores, então a escolha das vestes brancas não foi aleatória, visto que elas são idênticas às históricas vestes da Ku Klux Klan”, completou.

Confira a nota da associação, na íntegra:

A Associação Cultural Pilão de Prata da cidade de Goiás repudia o ato organizado pelo grupo apoiador de Bolsonaro na manifestação ocorrida na cidade de Goiás em 01 de maio de 2021, que agiu violentamente de forma racista e criminosa criando aspectos de violência simbólica latente inspirados na seita Ku Klux Klan, assassina de povo negro.

Justo em solo sagrado e patrimonial da cultura afro-brasileira da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, erguida às custas do flagelo do povo negro e de seus remanescentes.

Inescrupulosos caminharam pelo território quilombola em afronta à vida destes que carregam consigo o legado de seus antepassados.

Mancharam o simbólico religioso da cidade de Goiás ao vestirem as indumentárias representativas da Procissão do Fogaréu, tão cara para a cultura de nossa cidade.

Em um momento tão crítico com mais de 400.000 (quatrocentos mil) mortos numa pandemia descontrolada profanaram o chão de Oxum, da Rainha Zinga, dos Bantus, das nossas crianças e dos nossos velhos.

Estamos indignados e profundamente violentados diante de tamanho ato irreparável e digno de medidas jurídicas de responsabilização pelos diversos crimes cometidos de apoio à tortura, de racismo.

Goiás é Patrimônio Mundial e isso é um crime contra a humanidade e a vida.

Pilão de Prata é vida do povo negro e jamais se silenciará!

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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