Gilmar Mendes diz que Mariana Ferrer foi vítima de ‘tortura e humilhação’ em audiência sobre estupro.

Ministro do STF classificou cenas da sessão, divulgadas pelo portal Intercept, como ‘estarrecedoras’; imagens mostram advogado de defesa atacando a jovem a catarinense

Por Rodrigo Castro/Revista Época
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Central de Jornalismo
03/11/2020

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes se manifestou nesta terça (3) em suas redes sociais sobre a audiência referente a um caso de estupro envolvendo a promoter catarinense Mariana Ferrer, de 23 anos. Ele classificou as cenas da sessão, divulgadas pelo portal Intercept, como “estarrecedoras” e afirmou que a Justiça não deve ser instrumento de “tortura e humilhação”.

“As cenas da audiência de Mariana Ferrer são estarrecedoras. O sistema de Justiça deve ser instrumento de acolhimento, jamais de tortura e humilhação. Os órgãos de correição devem apurar a responsabilidade dos agentes envolvidos, inclusive daqueles que se omitiram”, escreveu Mendes.

A reação do ministro ocorre logo após a publicação de reportagem do Intercept que revelou a sentença que inocentou o empresário André de Camargo Aranha, acusado de estuprar a jovem durante uma festa em 2018. O juiz Rudson Marcos, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis, acatou a argumentação do Ministério Público de que houve “estupro culposo”, quando não há intenção. O crime não está previsto em lei e abre jurisprudência inédita.

A gravação da audiência mostra o advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho expondo fotos sensuais da promoter e fazendo comentários pejorativos sobre sua conduta. Ele chamou as imagens da catarinense de “ginecológicas” e afirmou que “jamais teria uma filha do nível” de Mariana. Em momento algum houve interrupção da fala ou questionamento por parte dos demais presentes na audiência sobre a relação das fotos com o caso.

Após a divulgação do vídeo da audiência, houve indignação nas redes sociais. O assunto “estupro culposo” e a hashtag #justicapormariferrer estão entre os mais comentados do Twitter, mobilizando inclusive celebridades e políticos.

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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