Crônica S/A- Os Climérios

Por Vicente Sá
Central de Jornalismo
30 de janeiro de 2022

Os Climérios

A memória da humanidade é uma coisa complicada. Alguns povos antigos permanecem lembrados e outros não são mencionados em nenhum livro de história, mesmo se deram alguma contribuição para a cultura humana. Todo mundo sabe alguma coisa dos godos, dos visigodos, dos ubaídas e dos sumérios. Mas e dos climérios? Alguém já ouviu falar de sua cultura e, principalmente, de sua transformação poética?
Curioso por não achar nada nos livros nem na internet sobre os climérios, fui procurar, é claro, o amigo mais culto que tenho no quadradinho. Ele mesmo, este que você pensou, caro leitor: o FAN, o Filósofo da Asa Norte.
E mais uma vez, saibam que ele não me decepcionou ou então me enrolou completamente. Mas, partindo do princípio que ele me disse a verdade e na ausência de contraprovas, vou resumir aqui o que descobri com ele sobre este povo.
Vivendo na mesma época e na mesma região da Mesopotâmia que os sumérios, os climérios eram criativos, alegres e festeiros. Adivinhavam chuva e já, por antecipação, a festejavam durante dias.
Nesse tempo, é bom lembrar, a poesia ainda era restrita à dança e à pintura, a fala era usada apenas para comunicações simples e ordinárias.
Enquanto um sacerdote dos seus vizinhos, os sumérios, que tinha o inusitado nome de Paulo José Cunha, exatamente porque usava uma cunha para escrever na argila, desenvolvia a escrita cuneiforme, os climérios ultrapassavam os limites da lógica convencional e colocavam poesia na fala.
A partir daí a poesia se espalhou e os namoros e casamentos triplicaram de número e, é claro, as traições também. Dizem que por conta da sedução poética de uma mulher que causou uma luta de mais de dez anos, um povo guerreiro culpou os climérios e lhes declarou guerra.
Depois disso os climérios se dispersaram pelo mundo e o primeiro navio que despontou nas costas brasileiras já trazia um Climério a bordo. Ele foi deixando na Bahia e, segundo o FAN, encantou-se e foi encantado pelas moças originárias e casou-se com várias delas, gerando uma imensa prole de garotos e garotas que tanto usavam o arco e a flecha como a poesia nas suas brincadeiras.
O mundo rodou, o Brasil também e a poesia ocupou seu lugar na vida. Hoje, dos climérios mais conhecidos no país, eu lembro de um bispo baiano, Climério Almeida de Andrade, que lutou em defesa dos sem-terra, e do Climério Ferreira, este grande poeta e ser humano, fiel depositário da sabedoria poética dos antigos.
Mas, me garantiu o FAN, há lugares esquecidos do sertão brasileiro, onde Jaci ainda é Dindinha Lua e permite que as sombras que cria caminhem ermas em madrugadas insones, com suas alpercatas feitas do couro andrógino dos anjos, a levantar poeira, quando buscam a olorosa e inexistente flor da solidão.
Lá, os climérios são homens simples que vivem do que plantam e usando a arte ou magia dos seus antepassados, conversam com a natureza e sentem quando vai chover. Os mais jovens sonham conhecer a cidade grande.
Alguns dicionários, hoje, os registram assim, como meros previsores do tempo. Mas, frisou o Filósofo da Asa Norte, eles, os dicionários, nunca foram muito abertos para as adoráveis impossibilidades que a vida pode nos proporcionar. O certo é que os climérios há muito tempo caminham entre nós. É só prestar atenção. Apreciando o dia como ele vier, com chuva ou com Sol, desejo aos leitores e a Climério Ferreira um bom domingo.
Vicente Sá
Ilustração Guilherme Leão

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Fonte Segura: Central de Jornalismo

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