Diário da Quarentena–Socorro! Eles não conseguem administrar nem os remédio

Por Caco Schmitt

Jornalista, roteirista e diretor. Trabalhou na TV Cultura/SP como diretor e chefe da pauta do jornalismo; diretor na Agência Carta Maior/SP e na Produtora Argumento/SP. Editor de texto no Fantástico, TV Globo/SP. Repórter em vários jornais de Porto Alegre, São Paulo e Brasília.

Só posso gritar: SOCORRO! Esses cretinos estão brincando com as nossas vidas! São irresponsáveis, incompetentes e terão que pagar por cada morte não evitada pela falta de leitos e, agora, pasmem, de medicamentos. No Rio Grande do Sul, e em vários estados do país, secretários de Saúde, administradores de hospitais, prefeitos estão chorando na imprensa e alertando que os estoques de medicamentos necessários às UTIs estão no fim. Alguns hospitais têm apenas estoque para mais dois ou três dias. Que irresponsabilidade, que falta de previsão, de planejamento. Não merecem o título de gestores, tinham que ir pra cadeia. Não consigo entender como isso aconteceu. Qualquer um sabe quando o azeite está no fim, quando o sal acabou e só tem um pacote de arroz no armário. Basta olhar e saber que está na hora das compras da semana, mas eles administram hospitais no meio de uma pandemia como quem não consegue ver que a bolacha acabou e o café terminou e a despensa está vazia. Não conseguiriam gerir uma quitinete, que dizer de hospitais que tratam dezenas, centenas de pacientes infectados e com suas vidas em risco.

Já cansei de escrever, mas repito: FOMOS ENGANADOS! Pediram pra gente ficar em casa, de quarentena, ganhar tempo pra achatar a curva e não colapsar a rede hospitalar. E agora? O inverno recém começou e já não tem mais UTI. Pergunto: onde estão os leitos prometidos? Mal começou o inverno e não tem mais remédio. Tiveram três meses pra encomendar, estocar… Bastava ver o drama dos estados do Norte e Nordeste, sem UTIs, sem respiradores. Todos sabem que um paciente grave de covid-19 fica, em média, por duas semanas numa UTI, e exige equipes preparadas e muita medicação. Ficaram fazendo o quê? Não encomendaram por quê? Não sabiam que a entrega levaria um ou dois meses? Eu me recuso a aceitar que a minha vida poderá depender desses cretinos, incompetentes. Deixaram acabar o estoque pra começar a chorar. Agora, pedem para o governo federal resolver, logo esse Ministério da Saúde que já deixou claro que está de corpo mole, vingativo. O general interino, falou um dia desses: “Queriam determinar o que fecha o que abre, agora se virem, resolvam”.

Mais do que nunca ficarei em casa, sem flexibilização. Ficaram brincando de bandeirinhas amarelas, laranja, vermelha, de abre e fecha isso e aquilo e não trataram de administrar a despensa da casa. Sequer tiveram capacidade de conferir os estoques de remédios nesses quatro meses de covid-19 no Brasil. Pergunto: se um desses “gestores” precisar de UTI haverá sedativo para entubá-lo? Hoje, a secretária da Saúde do Rio Grande do Sul disse que a falta de medicamentos anestésicos é o “problema número um dos hospitais”. Eu digo: o problema número 1 são vocês…

DADOS DE HOJE DA COVID-19 NO BRASIL: 1.543.341 casos e 63.254 mortes.

Administrador

Fonte Segura: Central de Jornalismo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *