Joe Biden é franco favorito nos EUA porque 2020 é bem diferente de 2016

Por Kennedy Alencar/UOL
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Central de Jornalismo

O presidente Donald Trump espera repetir a vitória surpreendente que teve há quatro anos. Mas 2020 é bem diferente de 2016. O cenário político é outro. Por isso, o democrata Joe Biden tende a conquistar a Casa Branca na eleição de 3 de novembro.

Em 2016, Trump era um candidato de oposição, um franco-atirador que podia se vender como disruptivo e prometer mundos e fundos. Passados quatro anos, ele tem um governo real a ser julgado. Em campanhas com um candidato à reeleição, ocorre basicamente um referendo sobre os atos de quem está no poder.

O bom desempenho econômico que herdou do governo Obama (2009-2016) foi varrido do mapa pela pandemia, que jogou os Estados Unidos na maior recessão desde a Grande Depressão dos anos 30 do século passado. Trump perdeu o seu principal ativo reeleitoral.

A resposta desastrosa à pandemia de coronavírus tem tido efeito negativo para o presidente americano. As pesquisas mostram que cerca de dois terços dos entrevistados desaprovam a forma como ele enfrentou a covid-19.

Como o presidente contraiu o coronavírus, a pandemia voltou a dominar o debate eleitoral. Quem dita o tema da agenda pública costuma levar vantagem. Trump tenta tirar a pandemia de cena, mas a chegada do outono elevou o número de internações em estados do meio-oeste americano, o que é uma notícia ruim para o republicano.

Um argumento recorrente de Trump é que as pesquisas não são confiáveis e deverão errar novamente. Esse é um argumento impreciso. Em alguns estados importantes para formar maioria no Colégio Eleitoral, havia pesquisas indicando uma disputa apertada e imprevisível. Mas a versão que prevaleceu, repetida por Trump diversas vezes, foi a de um erro coletivo das pesquisas, apesar de Hillary ter vencido no voto nacional como elas apontaram.

Desde então, os institutos revisaram metodologias para captar melhor o voto do eleitorado branco, sobretudo do homem sem diploma universitário. Este segmento do eleitorado ainda está majoritariamente com Trump. Segundo pesquisa da CNN, 67% dos homens sem diploma universitário pretendem votar no presidente.

Biden tem cenário melhor do que o de Hillary em 2016

A menos de um mês das eleições, Biden tem uma vantagem maior nas pesquisas do que possuía a democrata Hillary Clinton em 2016.

Na média das pesquisas do voto nacional, ele está cerca de 10 pontos percentuais acima de Trump. Hillary tinha vantagem de cerca de 6 pontos percentuais. Até no grupo de estados considerados decisivos no Colégio Eleitoral, Biden está em situação mais confortável do que Hillary. Na reta final da disputa, o atual candidato democrata ostenta números bem melhores em estados como Pensilvânia, Wisconsin e Michigan, nos quais Trump venceu em 2016.

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